domingo, 13 de dezembro de 2009
O medo da rua
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O que é multiculturalismo?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Seminário - Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política
Venho divulgar o seguinte seminário, pilotado pelo Darlan Ferreira Montenegro:
Trata-se de seminário que ocorrerá dentre as atividades da disciplina do professor Rogério Dultra, em curso neste segundo semestre de 2009.
A revista Veja, e as artimanhas do senhor da mentira
E na matéria abaixo, oriunda do “Blog do Azenha”, o nosso Azenha mostra ser digno de uma cátedra inquisitorial das melhores universidades, porque mostrou saber sentir o cheiro de enxofre a milhas de distância. E eu que sou um leigo nestas artes, arrisco a dizer, que talvez a grande imprensa brasileira seja a morada que o “senhor da mentira” encontrou para atacar e confundir o povo de Deus.
"A corrupção, na Veja


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Reingresso na UFF
Repasso informações recebidas da UFF, particularmente dos professores de Campos dos Goytacazes:
O período de inscrições para o concurso de Reingresso é de 4 a 10 de dezembro de 2009.
Mais informações em no site http://www.coseac.uff.br/
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
III Jornada de Políticas Sociais da UENF
Será em 03/12/09, das 8h às 17h, no Anfiteatro 4 do Centro de Convenções da Uenf, a 3ª Jornada do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf. O evento, que tem apoio da Capes, será aberto às 8h30 pela professora Sônia Martins de Almeida Nogueira. Em seguida, a professora Martha Tupinambá Ulhôa discorre sobre o tema 'Interdisciplinaridade na pesquisa em Artes'. Após a palestra haverá debate mediado pelo professor Marcelo Gantos.
Das 10h30 às 12h, será realizado um painel com trabalhos representativos das diversas linhas de pesquisa do Programa de Políticas Sociais. O painel será apresentado pelos alunos Carlos Moraes (Linha 1), Júlio Cezar Pinheiro de Oliveira (Linha 2), Paulo Sérgio Ribeiro da Silva Junior (Linha 3) e Josete Soares Peres (Linha 4). A coordenação dos trabalhos é da professora Silvia Alicia Martinez.
O professor João Lupi ministra palestra às 14h sobre o tema 'O doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC (Florianópolis): experiências, resultados e dificuldades'. Em seguida, às 15h30, haverá mesa-redonda para debater o tema 'A pós-graduação interdisciplinar: visões e expectativas'. Os debatedores serão os professores Pedro Geraldo Pascutti e Édson Correa da Silva. A moderadora será a professora Simonne Teixeira.
O encerramento está previsto para as 17h, quando será realizada a atividade cultural 'Tango & Dança', com o argentino Aldo Priore. Mais informações podem ser obtidas pelo tel (22) 2739-7281 ou pelo email pgps-cch@uenf.br.
Fonte: http://www.uenf.br.
domingo, 29 de novembro de 2009
Projeto Segundas Debates - UFF Campos - Palestra José Luiz Vianna da Cruz
UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
COORDENAÇÃO DE EXTENSÃO
Projeto de Extensão - “Segundas Debates: Estudos Acadêmicos Complementares à Graduação”.
CONVITE
O Projeto de Extensão Segundas Debates: convida você a participar da apresentação do relatório do projeto de extensão: “Estudos dos impactos sócio econômicos da implantação de estaleiro em Barra do Furado/Quissamã – RJ”, no dia 30 de Novembro de 2009, segunda-feira, no horário de 15:30h às 18:00h na UFF/Campos – sala 01.
Expositor: Profº. José Luiz Vianna da Cruz – Coordenador do projeto de extensão: “Estudos dos impactos sócio econômicos da implantação de estaleiro em Barra do Furado/Quissamã – RJ” e Diretor do Polo da UFF/Campos;
Mediadora: Profª. Ana Maria Almeida da Costa – Coordenadora de Extensão – UFF/Campos.
Profª. Ana Maria Almeida da Costa
Coordenadora
Informações: Rua José do Patrocínio, 71 – Centro – Campos dos Goytacazes – RJ. Tel. (22) 27220622 e 27330319, Ramal 4104 e 4112 no horário de 14:30h às 17:30h. Os certificados poderão ser solicitados na Secretaria da Coordenação de Extensão.
sábado, 28 de novembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009
O vigésimo aniversário da queda do muro de Berlin foi marcado como uma comemoração da vitória da liberdade contra a tirania, em termos concretos, da vitória da democracia de mercado sobre a ditadura do socialismo de Estado. É este consenso que parece estar presente no “significado
O “problema do muro” (de Berlin) é que ele é exposto em praça pública de modo que todos podem vê-lo sem nenhum esforço. Ele destaca desde sempre que a política se relaciona com o território, com a administração burocrático-militar de uma jurisdição. O muro se tornou uma forma de regular a relação entre território e corpo, entre certo território e certo tipo de corpo. Mas ele é apenas o recurso visível entre várias outras possibilidades de obter o mesmo sucesso. A tese de Foucault me parece avassaladora quanto a isso: a especificidade da “política moderna” é que ela é feita com enquadramentos, limites, decisões, que ocorrem de modo intransparente para o “público”. Elas acontecem em organizações autárquicas, as quais nem o “poder central”, representado na ideia do “Estado soberano”, com sua legitimidade juridicamente assegurada, nem a “opinião pública”, hegemonizada pela comunicação de massa, conseguem dirigir.
E é justamente o poder autônomo destas organizações para limitar e induzir o “movimento dos corpos” que confere à política moderna sua estrutura antidemocrática. Para Foucault, isso se condensa na fórmula “Estado policial versus Estado de direito”. Mas também a burocracia em geral, com o monopólio do “poder simbólico” (a começar pelo de emitir ou negar vistos, controlar fronteiras, e que sempre produz e controla a dinâmica dos corpos.), atua a revelia de tudo que venha da representação soberana do Estado. Em resumo: organizações políticas que não aparecem na política oficial executam poderes sobre o corpo cuja forma de operação ignora o que acontece nas proclamações e festejos da liberdade nas praças, nos parlamentos e na televisão.
O poder direcionado ao corpo, que o toma como “matéria” de suas operações, atua antes de tudo na relação do corpo com o território, ou seja, de modo a estruturar, a estabilizar expectativas no modo como o corpo ocupa o território. Nos dando um nome e assim dizendo onde é nossa casa, decretando nossa prisão, nos capacitando com recursos materiais e “imateriais” que nos credenciam a ocupar certos espaços etc. Nenhuma sociedade conseguiu tao bem fazer isso em detalhe, ainda que com enormes ansiedades geradas pela própria pretensão do controle sobre o rendimento do processo, como fez a sociedade moderna, espalhada pelo mundo todo. A política moderna vitoriosa é esta do corpo, convenientemente silenciosa, e não a política dos parlamentos, das eleições, da crítica, enfim, da democracia. A política do corpo que estrutura minuciosamente as possibilidades da ocupação do espaço começa na família. É nesta esfera institucional que o controle do espaço, através da exclusividade do território doméstico, e o controle do tempo, através do período reservado para a educação do filho, criam os pressupostos para tomar decisoes. A ideia de que a família é a “célula da sociedade” não poderia ser mais falsa. Tudo o que julgamos natural de ser praticado e estruturado na espera doméstica é o produto artificial (tornado realidade) de estruturas e poder sociais mais complexos que os laços de sangue ou qualquer coisa que possamos imaginar como “afeto espontâneo”. Laços afetivos, mesmo os reproduzidos no íntimo do lar, são socialmente estruturados já (embora também dentro) fora dele.
Um certo “instinto anarquista” incauto nos levaria a concluir que somente a “emancipação” deste poder seria algo em prol da democracia e da liberdade. O triunfalismo envolvendo o muro de Berlin é a visão de direita que insiste em ver somente na “emancipação” da organização estatal o caminho para a liberdade, como se (como sempre....) para participar do mercado não tivéssemos que desde sempre participar de alguma organização. No pano de fundo desta noção de “emancipação” está uma ideia de “liberdade” que nega a sua própria condição de possibilidade ao caracterizar sua negação como “imposição”, como se o indivíduo “livre” existisse contra o poder organizativo da sociedade, como se ele não fosse de modo organizado “tornado livre”. Uma crítica a este “como se”, a este passe de mágica discursivo, estará condenada a reproduzir uma exigência idealizada de democracia, cujo sentido é justamente ignorar que a política do dia a dia não é coordenada pela representação soberana e jurídica dela, enquanto não superar esta semântica da liberdade que esconde a gênese atualizada de todo agir livre: o acesso arbitrário a organizações que detêm a munição cognitiva e motivacional para a escolha e a decisão. Democratizar a política do mundo real é democratizar o acesso a organizações, desde a família nuclear até os meios de comunicação de massa.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Pensando o Simpósio de Jornalismo Científico na UENF: Ecos da palestra de Marcelo Canellas
Boa leitura!
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Em entrevista publicada na edição deste sábado (21/11/09) do jornal Folha da Manhã (www.fmanha.com.br), o jornalista Marcelo Canellas toca em vários pontos que deverão ser debatidos em profundidade durante o 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico, que se realizará dias 25 e 26/11, no Centro de Convenções da Uenf. De forma explícita ou implícita, Canellas antecipa diversas questões de fundo da programação do Simpósio.
O jornalista participou do chamado ‘Pré-Simpósio’, na última quinta, 19/11/09, ministrando a palestra ‘O papel do jornalista na comunicação da ciência’. A entrevista foi concedida ao repórter Ewerton Corrêa, do segundo caderno da Folha da Manhã.
Cabe registrar que a inscrição no Simpósio pode ser feita gratuitamente até 23/11/09, em www.uenf.br/simposio.
Eis os pontos levantados por Canellas, com grifos nossos, seguidos dos respectivos comentários:
I - Traduzir a linguagem técnica, fugir ao hermetismo
‘A contribuição que podemos dar é perceber o que a universidade ou instituto de pesquisa fazem pela própria comunidade. Quais são suas ações e de que modo elas interferem na vida de um todo. E essa ideia de que o conhecimento é algo hermético, que deve ficar circunscrito aos muros das universidades vai contra a democracia. É aí que entra o papel do jornalista, no sentido de ajudar os cientistas e os pesquisadores a tornarem o conhecimento gerado por eles acessível à população.’
Comentário:
Este é o aspecto mais básico, o ponto de partida da discussão: a importância da abertura e reforço de canais de interlocução entre a academia e os demais âmbitos da sociedade. Este ponto tende a ser consensual, mas ainda não toca — como o entrevistado fará adiante — em questões teoricamente mais aprofundadas.
II - Jornalismo com profundidade
‘Precisamos formar jornalistas mais familiarizados com esse tema, com mais ferramentas teóricas, para discutir esse assunto e apresentá-lo para a população que é completamente leiga. Eu não acredito que seja necessária uma formação específica, ou seja, ser um médico ou biólogo, basta exercer um jornalismo como deve ser exercido, com profundidade, buscando conexão entre causa e consequência e tentando explicitar realmente como surgiu determinado conhecimento, como foi gerado e para que ele vai servir.’
Comentário:
Jornalismo de verdade, aplicado a qualquer área (Economia, Política, Ciência, Esporte etc), envolve apreciação crítica, consulta a diferentes fontes, explicitação do processo (e não apenas do resultado), abordagem do ingrediente político (quais são os interesses envolvidos, quais foram as concepções ou visões que se confrontaram até que alguma prevalecesse etc.).
Esta temática levantada por Canellas deve permear todo o Simpósio, mas há de ser analisada mais especificamente na mesa ‘Por um jornalismo científico mais crítico’, dia 25/11, quarta, às 16h, com a participação de Cilene Victor da Silva (presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, ABJC), Ricardo André Vasconcelos (blog ‘Eu penso que...) e Adelfran Lacerda (ex-assessor de Comunicação da Uenf). O tema também é tocado pela presidente da ABJC na entrevista ao próximo número da revista Nossa Uenf (http://www.uenf.br/index.php#
III - Prioridades nas pesquisas
‘Um exemplo concreto é que das quatro principais doenças negligenciadas do mundo, três acontecem no Brasil. São doenças negligenciadas por falta de pesquisas científicas. A única que não acontece no Brasil é a doença do sono,existente na África. Mas a malária, leishmaniose e a doença de Chagas são todas elas doenças infecciosas originárias da pobreza, e os laboratórios não têm interesse em pesquisar. Então, caberia às universidades e institutos de pesquisa fazerem isso. Além disso, está faltando da parte da imprensa brasileira colocar esta discussão na sociedade. São milhões de brasileiros que estão carentes desse conhecimento’.
Comentário:
Por aqui se vê que a tarefa do Jornalismo Científico é bem mais complexa do que apenas ‘traduzir’ a informação científica para uma linguagem acessível. Quem decide sobre o que é prioridade nos investimentos em ciência e tecnologia? Como decide? Que interesses estão em jogo? Parece claro que o processo será mais transparente e democrático na medida em que setores mais amplos da sociedade sejam informados sobre estas questões.
O Simpósio terá uma mesa com representantes das três principais agências estaduais de fomento do país (Fapesp, Faperj, Fapemig). Eles vão debater os parâmetros que têm regulado o apoio à divulgação científica por parte destas instituições. Será em 26/11, quinta, às 14h.
IV – Espaços para ciência na mídia
‘Existem jornais que têm espaços reservados para ciência e tecnologia, mas ainda é um espaço pequeno. Existe uma demanda reprimida que não é atendida pelos meios de comunicação.’
Comentário:
O aspecto qualitativo das matérias científicas é crucial, mas não é possível pensar em informação qualificada, elaborada e reflexiva sem espaços na mídia. Esta é uma questão nacional, que também cabe no contexto local de Campos (RJ) e região.
No âmbito local, em termos quantitativos, perdemos, junto com a interrupção na circulação do Monitor Campista, uma página semanal de noticiário sobre ciência e tecnologia. Em termos qualitativos, seria o caso de aproveitar o Simpósio para tentar propor a instalação de editorias de ciência nos nossos veículos de comunicação. O material produzido pelas assessorias é um avanço em relação à ausência de matérias sobre ciência, mas o horizonte a ser perseguido provavelmente é o de redações que utilizem estes releases como matéria-prima para suas próprias construções.
Leia também:
Cobertura da palestra de Canellas feita pela Ascom/Uenf:
http://www.uenf.br/index.php#Doação de Cães - UENF
Prezad@s,
Está ocorrendo na UENF uma campanha para que os cães ali do campus, quase patrimônio histórico da instituição, tenham um lar de verdade.
Eis aqui os telefones da UENF: http://www.uenf.br/arquivos/
Caso tenham interesse vocês podem tentar entrar em contato com a prefeitura do campus, creio eu, para realizar esta boa ação.
Admito que não entendi exatamente como um animal pode ter morrido sem cuidados veterinários em uma universidade que possui um curso de "medicina veterinária". Ou ao menos eu pensava que existia algo assim por ali...
Mas.. divulgo as informações. Infelizmente aqui o quintal já possui dois adotados o que me impossibilita de dar uma força..
Abçs e divulguem a informação,
George
Adote um cachorro do campus
A Prefeitura da Uenf está dando início a uma campanha para retirar os cães que vivem no campus da Universidade. A ideia é transferir os animais para a Associação de Proteção aos Animais (APA), mas, para isso, a entidade necessita de doações. Quem puder ajudar deve entrar em contato com a Prefeitura da Uenf.
- Muita gente alimenta estes cachorros aqui dentro do campus, só que isso não basta. Eles precisam de um lugar seguro para ficar, porque aqui dentro vêm ocorrendo muitos problemas com eles - explica o prefeito da Uenf, professor Paulo Maia.
Segundo Paulo Maia, já foram registrados quatro casos de atropelamentos de cães dentro do campus. Uma morte de um animal, por falta de cuidados veterinários. E, recentemente, um caso de ataque de cachorros a uma mulher dentro da Universidade, próximo da entrada principal, sem maior gravidade.
- Alimentar os cães não é suficiente, porque eles também precisam de atendimento veterinário. Além do risco de atropelamentos, há ainda a questão das zoonoses - afirma.
Segundo o professor, existem atualmente nove cães residindo dentro do campus da Uenf. Para cuidar de todos eles, a APA precisa de aproximadamente 15 kg de ração por mês. Os membros da comunidade universitária que se dispuserem a "adotar" um cão receberão da APA a orientação necessária para que as doações sejam efetivadas mensalmente. Paulo Maia informou que, uma vez retirados os cães, serão tomadas providencias para evitar a permanência de outros animais dentro do campus.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Palestra Marcelo Canellas hoje, 16h, no Centro de Convenções - UENF
À comunidade universitária,
Reforçamos o convite para a palestra de hoje (quinta, 19/11), às 16h, a ser ministrada pelo jornalista Marcelo Canellas, no Centro de Convenções. Canellas, que ganhou mais de 20 prêmios nacionais ou internacionais, vai falar sobre 'O papel do jornalista na comunicação da ciência'.
Aberta ao público, a palestra é uma prévia do 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico, que ocorrerá na próxima semana (quarta e quinta, 25 e 26/11), no Centro de Convenções.
Para quem deseja participar das demais atividades do Simpósio, as inscrições continuam abertas até 23/11, em www.uenf.br/simposio. Já somos mais de 400 inscritos, mas ainda há vagas.
Comissão Organizadora / Ascom
quarta-feira, 18 de novembro de 2009


XXIV ENCONTRO FRANÇA-BRASIL
- 23 de novembro de 2009 -
19h30: Recepção de boas vindas aos convidados.
Local : Hall do Liceu de Humanidades de Campos.
Exposição de reproduções de pinturas francesas.
20h: Jantar.
- 24 de novembro de 2009-
8h30: Abertura oficial com a execução dos hinos nacionais da França e do Brasil.
Local: Hall do Liceu.
9h: Apresentação de capoeira com Mestre Peixinho e sua equipe.
Local: Quadra de esportes do Liceu.
10h: Apresentação dos alunos do ensino médio.
Local: Quadra e auditório do Liceu.
12h: Almoço.
14h: Apresentação dos alunos do ensino fundamental.
Local: Auditório do Liceu.
16h: Pausa-café.
16h30: Palestra com Mme Chambeu.
Local: Hall do Liceu.
19h: Café Literário na quadra de esportes.
20h: Apresentação dos alunos do CELEMO.
Local: Auditório do Liceu.
21h: Apresentação do Coral da Faculdade de Direito de Campos, sob a regência do Maestro Jardel Maia.
Obrigada por sua presença, ela é muito importante para o sucesso do nosso trabalho !
Merci beaucoup !
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Entrevista ao Jornal O Diário (Parte 1)
A última vez que fui a Campos tive a oportunidade de conceder uma entrevista (que saiu hoje no jornal o diário http://www.odiarionews.net/wordpress/?page_id=35) ao simpático e inteligente jornalista Paulo Renato Pinto Porto. Aproveito este espaço para agradecer-lhe o convite, e ainda dizer que tivemos um interessante papo. Falamos de vários assuntos, desde a política local, passando pela nacional e internacional. Mas como o jornal impresso é limitado materialmente, ou seja, o espaço do papel é pequeno para análises mais profundas, é sempre impossível transmitir para leitor todo o conteúdo da conversa, a qual serve de base para a entrevista. Devido a isso, aproveitando a gancho me concedido pelo jornalista Paulo Renato Pinto Porto na entrevista, lançarei mão de nosso blog para alongar as minhas análises feitas na conversa que tive com ele.
Dedicar-me-ei aqui a respeito de três eixos da entrevista que considero importantes. O primeiro se refere às relações entre a UENF e a cidade de Campos (Parte1), e o segundo ao movimento político muda Campos e as transformações políticas deste movimento, assim também como sobre a figura de maior destaque político deste movimento, i.e., Garotinho (Parte 2), e um terceiro referente às experiências de um goytacá na Prússia, os choques culturais da vida num país tão diferente culturalmente (Parte 3).
Parte 1: A UENF e a cidade de Campos
Ao tentar entender esta difícil relação, não podemos nos furtar de analisar a sua gênese. O processo de implantação da UENF, como nos conta a bela pesquisa feita pelo sociólogo Glauber Rabelo, foi um processo traumático, dentro do qual, uma série de disputas políticas estavam em jogo. De um lado estava a “elite intelectual” local, representada pelas universidades particulares do município, sobretudo aquelas ligadas às humanidades, como a FAFIC e a faculdade de Direito de Campos. Estas tinham um projeto de universidade do norte fluminense, que seria mais ou menos a união delas, formando o que temos hoje na Uni-Flu. Do outro, estava Darcy Ribeiro, um homem cheio de sonhos e vontades titânicas que queria criar no interior do Rio de Janeiro uma universidade de patrão internacional. A partir deste ponto o conflito já estava posto, uma “elite intelectual” local que não queria perder seu poder, e do outro um político sonhador, dado a certos autoritarismos, que não reconhecia qualquer traço intelectual mais profundo na elite local, porque não via neles a vocação para a pesquisa e assim a possibilidade de se formar uma esfera propriamente acadêmica.
O segundo ponto do conflito se dá coma chegada dos professores da UENF. Ocorre aí um estranhamento mútuo, deles para com a cidade e da cidade para com eles. Muitos setores do município, assentados nos seus temores de perder o seu poder, estimularam na população um xenofobismo provinciano de ódio aos professores da UENF. Como se estes fossem forasteiros a sugar algo do município sem ter qualquer relação com ele, ou dar algo em troca. Ou espalhar a falácia que estes recebiam salários faraônicos à custa da pobreza da população local. Por outro lado, muitos professores não mostraram o menor interesse em ter um contato mais estreito com a cultura local, assim de algum modo, estimulando os preconceitos lançados contra eles. Esses dois quadros formaram uma cisão entre a cidade e a universidade de difícil reconciliação.
E é sobre esta reconciliação que queria enfatizar. O desafio das gerações presentes é o de dar novos contornos a essa história. A cidade com um todo, mas em especial as elites intelectuais e políticas locais, precisa entender que a UENF faz parte de Campos, a história de sucesso que a UENF vem construindo é sucesso também de Campos dos Goytacazes. E por outro lado será importante a incorporação de um quadro de professores e funcionários que tenham uma identificação afetiva com a universidade. Isso não quer dizer que seja eu contrário àqueles que não a tenham, mantendo uma relação tão somente profissional com a universidade, porém, só com estes é impossível construir o papel atuante na vida social e política que eu creio que uma universidade deve ter.
Eu sou muito otimista quanto a isso. Eu acredito muito como também espero que, em breve, poderemos olhar para a UENF e ver nela um papel decisivo para a história da cidade e da região no século XXI, tal como a escola de aprendizes e artífices (Escola técnica, CEFET, IFF) teve ao longo do século XX em Campos e na Região.
sábado, 14 de novembro de 2009
Palestra: UFF- Campos - "Cartas Sem Endereço"
CARTAS SEM ENDEREÇO: CONVERSAÇÕES SOBRE PESQUISA, TRABALHO DE CAMPO &ETNOGRAFIA NO MEIO URBANO
PALESTRA
Professor Doutor Marco Antônio da Silva Mello (Coordenador do LeMetro/UFRJ e Professor do Departamento de Antropologia da UFF e da UFRJ)
Na ocasião será exibido o filme etnográfico “10 Rue Lesage-Belleville: arqueologia urbana de um bairro popular parisiense".
Local: Auditório da Faculdade de Direito de Campos (FDC).
Horário: 18-21 hs.
Dia 18/11/09 (quarta-feira)
Realização: Coordenação do Curso de Ciências Sociais do Pólo Universitário da Universidade Federal Fluminense de Campos dos Goytacazes.
Apoio: Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (InEAC/INCT/UFF).
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Prorrogadas as inscrições para o I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico (UENF)
O Simpósio vai reunir alguns dos mais importantes pesquisadores e profissionais da área de jornalismo científico do país, como o editor da revista Scientific American Brasil, Ulisses Capozzoli. Jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em Ciência pela USP, ele vai ministrar, no dia 25/11, às 15h, a palestra de abertura do Simpósio, intitulada 'Percepção pública da ciência: responsabilidades da mídia e do jornalista'.
No mesmo dia, às 16h, a mesa-redonda 'Por um jornalismo científico mais crítico' vai reunir o professor Cidoval Moraes de Souza (Universidade Estadual da Paraíba), a jornalista Cilene Victor da Silva (presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico-ABJC) e o jornalista Ricardo André Vasconcelos (autor do blog 'Eu penso que...'). A mesa será mediada pelo jornalista Martinho Santafé (Revista Visão Social).
Às 18h30, será realizado debate sobre o tema 'Cientista e divulgação: o papel das universidades e instituições de pesquisa', reunindo os jornalistas Maurício Yared (editor do programa Globo Universidade), Cláudio Márcio Magalhães (presidente da Associação Brasileira de TVs Universitárias-ABTU) e Adelfran Lacerda (ex-assessor de Comunicação da Uenf). A mediação do debate ficará a cargo da jornalista Fúlvia D'Alessandri, da Assessoria de Comunicação da Uenf.
No dia 26/11, às 14h, haverá mesa-redonda sobre o tema 'Apoio à divulgação científica', reunindo dirigentes de agências de fomento. As três Fundações de Amparo à Pesquisa mais importantes do país estarão representadas por Roberto Dória (chefe de Gabinete da Presidência da Faperj), Mariluce Moura (diretora de Redação da Revista Fapesp) e Vanessa Oliveira Fagundes (assessora de Comunicação da Fapemig). Em seguida, às 16h, o professor Luiz Antônio da Silva Teixeira, da Fiocruz, ministra palestra sobre o tema 'A cobertura jornalística da gripe suína no Brasil - uma abordagem a partir da História da Ciência'.
Fechando a programação, será realizada às 18h30 a Roda de Ciência sobre o tema 'A compreensão pública da ciência no século XXI'. Os debatedores serão a professora Maria das Graças Caldas (Unesp), o professor Walter Ruggeri Waldman (LCQUI/Uenf) e o jornalista Maurício Tuffani (Assessor de comunicação da Unesp e editor do blog Laudas Críticas). A Roda será moderada pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa, diretor de redação do jornal Folha da Manhã, de Campos.
O Simpósio terá ainda dois minicursos (sobre tratamento de imagem digital e confecção de blogs) e uma série de atividades paralelas.
Fonte: http://www.uenf.br/
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso
Pensei em escrever alguma coisa sobre o Caetano, mas encontrei este texto que diz tudo o que eu gostaria de dizer.
publicado no blog www.viomundo.com.br, do Luis Carlos Azenha
Ao se referir a Lula como 'analfabeto', o termo está sendo utilizado de forma equivocada, pois 'analfabetismo' significa 'não saber ler nem escrever'. Imagino que ele esteja se remetendo, de maneira exagerada, ao fato de Lula não ter diploma de graduação, coisa que o compositor tampouco possui. Esse tipo de exigência não é nem mesmo cogitada ante outros artistas geniais como Milton, Chico, Cora Coralina... Gilberto Gil, ex-ministro do governo Lula, graduou-se, mas não em música... 'Ah, mas eles são artistas...'. E não seria a Política uma arte? Um pouco de Platão e Aristóteles não faz mal a ninguém...
Quanto à suposta 'cafonice' de nosso presidente, situado na revista americana Newsweek em 18° lugar entre as pessoas mais poderosas do mundo, Pierre Bourdieu (1930-2002) nos traz uma contribuição preciosa. De origem campesina, como Lula, o sociólogo francês criou conceitos que desmoronam o velho chavão do 'gosto não se discute'. Para Bourdieu, não só se deve discutir, como estudar, compreender, aquilo que se trata de, mais que uma questão de 'classe', uma questão de 'classe social'. Além do enorme abismo do ponto de vista propriamente econômico, os 'gostos diferenciadores', referentes ao 'estilo de vida', consistem na maior marca de violência simbólica e num fundamental instrumento de legitimação da dominação das classes dominadas pelas dominantes. Não somente é desigual a distribuição de renda numa sociedade dividida em classes, mas também o acesso à educação formal e informal - o hábito de freqüentar museus, espetáculos de teatro, música, dança - à sofisticação do vocabulário, às regras de etiqueta, à constituição da apresentação pessoal, dos 'modos' e atitudes corporais.
Obviamente, alcançar maior poder aquisitivo não possibilita a aquisição desse 'capital cultural' adquirido ao longo de toda uma vida no convívio com 'outras pessoas elegantes', ou seja, com a 'elite'. Uma expressão precisa para designá-las, utilizada corriqueiramente na Zona Sul do Rio, é 'gente bonita' - como sinônimo de portadores de determinadas marcas de classe evidentes pelo vestuário, linguajar, cabelos, corpos, modos, atitudes. Bourdieu demonstrou os aspectos, às vezes despercebidos, da 'construção social' do gosto, seja o gosto de Caetano, das elites, dos que gostariam de ser elite, pretendendo se distinguir da massa supostamente 'inculta'. Em outras palavras, as classes às quais pertencemos determinam, em grande parte, nossos critérios aparentemente inatos do que vem a ser elegância, numa relação de constante imitação, pelos 'cafonas', dos considerados detentores dos critérios de julgamento estético.
Lula não segue a corrente dos imitadores: mantém-se fiel à cafonice que o identifica com suas origens populares. Ah, como isso incomoda...
Embora seja assistido desde tempos imemoriais, lembrando que Norbert Elias estudou como a nobreza francesa era imitada por suas congêneres do resto da Europa no Ancien Régime, aqui, no Brasil, o fenômeno da distinção alcança as fronteiras do 'nojo', das reações fisiológicas desagradáveis, diante de tudo que possa remeter a atributos das classes populares, tudo que venha do 'povão'.
Não é à toa que o REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais que tem como objetivo "criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais" - seja alvo de críticas ferrenhas, apesar de vir ao encontro de demandas por mais vagas já presentes nos protestos estudantis da França e do Brasil há quarenta anos, os quais, aqui, jamais sequer haviam sido objeto de atenção pelos governos. A demanda por cidadania e não por privilégios restritos é assunto que dá nojo, dá 'gastura', como se fala no interior do Brasil. Mas isso são outros quinhentos...
Embora o acesso universal à educação deva ser uma meta, podemos questionar - como muitos eminentes acadêmicos questionam - que a universidade seja a única fonte de conhecimento legítimo, sob o risco de repetirmos, em outros moldes, o papel de detentora do saber exercido pela Igreja Católica Medieval. O que seria de nós sem a contribuição inestimável de tantos notáveis que por ela não passaram?
Pode-se argumentar, contudo, que o referido compositor não tem preconceito de classe ou contra a falta de diploma, pois pretende votar em Marina Silva que, como Caetano, não possui graduação, e que, como Lula, tem origem humilde. (O curioso é que, sendo a candidata à sucessão de Lula uma economista, dessa vez, a mesma é cobrada por não possuir mestrado e acusada de ter lutado contra a ditadura militar: sempre inventarão motivos contrários a políticas públicas que ferem ideais de distinção de classe). Ao contrário do que parece, os atributos de Marina caem como uma luva para nossa conservadora classe média leitora do Globo e da Veja e que jamais se assumirá preconceituosa: portar a nobre e indignada bandeira da causa verde faz disparar sua pontuação no quesito 'elegância'. Os que se preocupam ardentemente com a possibilidade de vida de seus netos e bisnetos são tocados em seu íntimo pelas questões ligadas à salvação das florestas.
Só que, mais uma vez, como a História sempre ajuda a enxergar, o buraco - na camada de ozônio - é mais embaixo: a destruição do planeta é a consequência inexorável de um sistema perverso que nele vem se instalando há alguns séculos. Ao longo de suas notáveis transformações, atingiu um ponto em que passou a se dar conta de seu próprio potencial de destruição e de identificar na preocupação com a natureza uma boa - e quem sabe, lucrativa - causa.
Do ponto de vista das chamadas 'Gerações' de Direitos Humanos, ao longo dos desdobramentos do capitalismo, a causa ecológica nasceu como a terceira filha. Enquanto a primeira, a segunda e a terceira gerações são identificadas com os ideais da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - a quarta, mais recente, relaciona-se a questões da Bioética e aos movimentos de segmentos minoritários ou discriminados da sociedade. A liberdade refere-se aos direitos civis e políticos, chamados de 'direitos negativos', pois limitam o poder exorbitante do Estado, que deve deixar o indivíduo viver e atuar politicamente. A igualdade consiste na luta pelos direitos sociais, culturais, econômicos, e demandam uma atuação 'positiva' do Estado no sentido de realizar ações que proporcionem condições de acesso de todos os indivíduos à educação, saúde, moradia, assistência social, dignidade no trabalho. Finalmente, a fraternidade esta ligada à ecologia, à preocupação com o destino da humanidade, irmanada por sua condição de habitante do planeta Terra.
Como se situaria o Brasil nessa História? Não vivemos mais no tempo de Marx, das jornadas de trabalho de 18 horas que não poupavam mulheres e crianças caindo mortas de fome ao redor das grandes máquinas sujas das fábricas. Hoje, longos tentáculos buscam mão de obra barata como a planta se dirige à luz do sol e os dejetos - da poluição e os seres humanos excluídos da participação em suas benesses - são escondidos do campo de visão dos que têm 'bom gosto'. Depois de destruir suas próprias florestas, os países ricos se preocupam e ditam regras da etiqueta politicamente correta aos pobres, abraçando a 'causa ecológica' com a mesma eloqüência que ontem defenderam que a 'mão invisível do mercado' traria a felicidade geral. Hoje, uma mão visível segura imponente a bandeira do orgulho verde. Porém, o corpo do qual faz parte constitui-se de fome, miséria, doença, condições abaixo de qualquer noção de dignidade da pessoa humana. A bandeira parece ser de um médico, mas o sujeito que a segura é um 'elegante' monstro. Chega a ser apelativo falar em salvar o planeta tirando de contexto uma causa que ninguém ousará contestar. Mas que tal pesquisar casos concretos de vínculos incontestáveis entre partidos verdes de diferentes países com os setores mais conservadores das respectivas sociedades? Visualizando a imagem do monstro, de braços dados com uma chiquérrima Brigitte Bardot salvando animais, faz todo sentido. A Bela e a Fera...
De modo algum defendo qualquer teleologia e que tenhamos que passar por fases que os outros já passaram. Nem que os sete anos de Governo Lula tenham se proposto a enfrentar bravamente, contra tudo e contra todos, o capitalismo que domina quase toda a superfície do planeta. Ninguém falou em Revolução, aliás, não era esse o combinado. Apenas assisto a um esforço hercúleo de instaurar políticas que ferem o coração desses mecanismos de violência, real e simbólica, que o julgamento do que é ou não cafona só vem a perpetuar, no sentido de minimizar o enorme fosso que separa os que têm e os que não têm acesso a conquistas históricas impreteríveis do Ocidente, independentemente de obediência a qualquer cronologia, identificadas com os direitos humanos: combate à fome à miséria, acesso universal à educação, à energia elétrica, diminuição da desigualdade ímpar que nos assola. Fraternidade, também quero, mas junto com a Liberdade, e principalmente, o que mais nos falta, Igualdade! Não igualdade no sentido anatômico, igualdade de condições, junto com a quarta geração.
Não indignar-se com a miséria, agarrar-se ferrenhamente a seus privilégios, assim como espernear diante de sinais de mudança, faz parte do aprendizado de cegueira, inércia e arrogância por que passam nossas elites com seu gosto sofisticado. Mas ao contrário de um regime de concordância geral, o ideal de democracia é caracterizado justamente pela coexistência de opiniões diversas a respeito das políticas do governo. À insatisfação proveniente de certo campo ideológico correspondem, certamente, avanços jamais assistidos na História do Brasil. Com vínculos ideológicos resumidos na figura de ACM, nutridora de uma ordem social desigual desde 1500, existe uma indiscutivelmente sincera elite baiana à qual, desagradar, é sinal de que Lula está no caminho certo!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Por Paulo Sérgio Ribeiro
Ao menos há um ganho inequívoco nessa ocupação. Na luta pela ampliação do possível o MST alcançou o "improvável": o capital cede terreno às lutas sociais por redistribuição, vide a recente e inédita devolução de terras griladas à União por parte de um representante do patronato fazendeiro, a Cutrale, que publicizou a revelância de as terras serem destinadas à reforma agrária [5]. Pasme, até o staff da Cutrale, cuja totalidade de terras ultrapassa em muito a área que grilou em Iaras - SP, consegue ser menos reacionário do que a bancada ruralista em sua posição irredutível de criminalizar esse movimento social.
domingo, 8 de novembro de 2009
Como o PT e Lula deveriam considerar a análise de FHC?
Por outro lado, será que interessa ao debate político e ao avanco da democracia somente considerar o diagnóstico da perspectiva de uma suspeita sobre seu autor? Será que é desejável, inclusive para o governo e o projeto político do PT, uma recusa a debater e enfrentar com argumentos as críticas do "princíope dos sociólogos"?
Confesso que fui convencido pelo Jornalista Alon Feuerwerker de que o PT e Lula ainda precisam responder com argumentos, sobretudo porque existem argumentos, ao diagnóstico do "caminho da servidão" (subperonismo, autoritarismo popular) do FH..... FH nao é burro, ainda que seja cínico.... e o PT nao pode menosprezar a importancia deste embate intelectual, mais no nível das idéias, ainda que seja indispensável apontar os interesses velados no discurso...
Aqui vai o artigo do Alon que me convenceu....
Eles caíram como patinhos (06/11)
O PT mordeu a isca atirada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Caiu como um pato. FHC escreveu artigo em jornais no último domingo afirmando que o PT conduz o Brasil para um autoritarismo em moldes “subperonistas”, com partidos e sociedade civil neutralizados, organizações sociais cooptadas e empresariado dependente do capital controlado, direta ou indiretamente, pelo Estado.
Tudo, segundo FHC, encimado pela figura do líder supremo, inquestionável.
Por que o PT se enrolou na armadilha posta por FHC? Pela maneira como reagiu. Recebeu uma crítica política e não respondeu politicamente. As reações variaram, mas tiveram um traço comum: a desqualificação. FHC está com inveja do sucesso de Luiz Inácio Lula da Silva. Suas afirmações nascem do inconformismo, compreensível num intelectual ferido em sua vaidade, suplantado, como presidente, por um metalúrgico de escolaridade formal precária.
Mas, e daí se FHC estiver movido por péssimos sentimentos, ou pelo rancor? No que isso invalida a crítica? Estivessem Lula e o PT menos tomados pela apoteose mental, procurariam fazer algum esforço para rebater FHC no mérito. Nada porém foi dito. O poder comportou-se de modo a reforçar a acusação, colocando-se acima dela a priori, como se parte da sociedade brasileira, mais conservadora (ou mais liberal, ou menos petista), estivesse preliminarmente impedida de participar do debate político, ou de criticar o governo.
Acusado de bonapartismo, o poderoso reagiu com viés bonapartista.
Um comportamento nascido da autossuficiência. Defeito que aliás FHC conhece bem. Ele deve saber o prejuízo que lhe causaram gracinhas como chamar os opositores de “fracassomaníacos”, ou aposentados de “vagabundos”. O tucano foi um mestre da desqualificação. O PT vai pelo mesmo caminho. Turbinados pela popularidade do líder, epígonos elaboram o index de quem pode ou não pode falar, está ou não está autorizado a criticar. Saiu da linha, tomou porrada.
No artigo, FHC acusou Lula de tentar matar moralmente os adversários. E o PT reagiu armando o pelotão de fuzilamento.
O PT e Lula, pouco a pouco, desacostumam-se ao diálogo com quem pensa diferente. Outro dia, o presidente foi surpreendido por um cidadão que lhe disse que não votava nele. “Eu não estou precisando do seu voto”, respondeu Lula, na lata. Para delírio e gargalhadas dos bajuladores em volta. Está tudo no YouTube.
Cercar-se de bajuladores é confortável para o príncipe. Mas nem sempre é saudável.
O Brasil é um país complexo, e os sucessos do governo Lula tornaram-no mais complexo ainda. Segundo um raciocínio tosco, o pobre que saiu da pobreza neste governo vai ser eternamente uma cabeça de gado a mais no curral eleitoral do nosso presidente. Por que é tosco? Porque quem sai da miséria, ou da pobreza, quer mais é ser dono da sua própria vontade. Quanto mais desenvolvida uma sociedade, maior a demanda por um comportamento democrático do governante.
Com seu artigo, FHC pretendeu colocar uma cunha entre o governo Lula e os intelectuais, entre a administração do PT e a crescente classe média. Pretendeu plantar em quem não é ferrenhamente petista a dúvida sobre a sinceridade dos propósitos democráticos do PT.
O PT ajudou-o a atingir o alvo.
IX Semana de Ciências Sociais - UENF - CCH

9h – 12h – Credenciamento
14h - Cerimônia de abertura (local: Centro de Convenções)
14:30 - Palestra de abertura da 1° Semana Acadêmica Unificada
16h - Programação Integrada Ética e Deontologia - Antônio Pegorava (UERJ/SEAF)
Local: Centro de Convenções
18h –21h – Mesa (Des)construindo o gênero no Brasil: sexualidade e direitos civis
- Alan Soares dos Reis (advogado)
- Daniela Bogado (UENF)
Local: CCH
9h – 12h: Mesa
Racismo e inserção do negro na sociedade brasileira
- Emerson Ferreira Rocha (UFJF)
- Ludmila Gonçalves da Matta (UENF)
Local: Casa Ecológica
14h – 15h: Apresentação de trabalhos
Local: Casa Ecológica
15h – 18h: Mesa
Perspectivas do ambientalismo
- Aristides Soffiati (UFF)
- Felipe Vasconcellos (UENF)
- Luís Eduardo Nogueira (UENF)
Local: Casa Ecológica
18h – 21h: Programação Integrada
Reforma Curricular: um instrumento para o enfrentamento do futuro
-Eunice Trein (UFF)
Local: Centro de Convenções
8h – 12h: Programação Integrada
Biodiversidade, agricultura, biotecnologia e o meio ambiente: É possível a sustentabilidade?
- Miguel Pedro Guerra (UFSC)
Local: Centro de Convenções
14h-15h: Apresentação de trabalhos
Local: CCH
15h-18h: Mesa
Mulher e cidadania no Brasil: perspectivas e limites das políticas públicas para mulheres no Brasil
- Ana Paula Sciammarella (ISER)
- Marcella Beraldo (UNICAMP)
Local: CCH
18h – 21h: Mesa
Teoria social e movimentos sociais
- George Gomes Coutinho (UENF)
- Rodrigo Chaves de Mello (UFJF)
Local: CCH
9h-11h Palestra
Lutas camponesas e a questão fundiária no Brasil
- Hermes Cipriano de Oliveira (MST)
Local: Casa Ecológica
11h - 12h Apresentação de trabalhos
Local: Casa Ecológica
14h-18h Mesa
Reforma urbana e lutas sociais
- Cassio Brancaleone (IUPERJ)
- Rafael Borges Deminicis (MTD RJ)
Vídeo
Zona de conflito ?
Local: Casa Ecológica
18-20h - Oficina
Cia. Só Pega no Tranco
Local: CCH
09h-12h: Mesa
Panorama do sindicalismo brasileiro
- Fernando Perlatto (IUPERJ)
- Maycon Bezerra (SEPE)
Local: CCH
14h- 16h: Cerimônia de encerramento da 1ª Semana Acadêmica Unificada da UENF
Local: Centro de Convenções
PS: No post clique sobre o cartaz para ter uma visão ampliada do mesmo.
CONVITE: Zapatismo, anticapitalismo e movimentos sociais anti-sistêmicos na América Latina contemporânea
UFF-UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
ESR-INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE E DESENVOLMVIMENTO REGIONAL
COORDENAÇÃO DE EXTENSÃO
CONVITE
O Projeto de Extensão Segundas Debates em parceria com a Disciplina de Movimentos Sociais, convida você a participar da Palestra: Zapatismo, anticapitalismo e movimentos sociais anti-sistêmicos na América Latina contemporânea, no dia 12 de novembro – quinta-feira (excepcionalmente), no horário de 16:00 ás 18:00 no ESR/UFF – sala 08, tendo como palestrante: Cássio Cunha Soares (Cientista Social, Doutorando em Sociologia pelo IUPERJ e Pesquisador do Centro de Estudos em Direito e Sociedade) e como debatedor: Hermes Cipriano/Mineiro (Setor de Produção do Assentamento da Reforma Agrária-Antônio de Faria/ MST – Campos dos Goytacazes – RJ).
O evento conta horas acadêmicas para os discentes.
Informações: Rua José do Patrocínio, 71 – Centro – Campos dos Goytacazes; RJ. Tel: 22 – 2722.0622 e 2733.0319, ramal: 4104 e 4112 no horário de 14:30 às 17:30. Os certificados poderão ser solicitados na secretaria da Coordenação de Extensão do ESR/UFF.
P.S: A professora Ana Maria da Costa solicita o incremento da seguinte informação: a atividade do Segundas debates, está sendo organizada em parceria com o Prof. Augusto Cesar de Oliveira/Disciplina: Movimentos sociais/UFF/Esr.
sábado, 7 de novembro de 2009
Perón, Getúlio, Lula - Emir Sader
Perón, Getúlio, Lula - Emir Sader
Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.
Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.
Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.
Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.
A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.
Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.
Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.
Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.
O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.
O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.
No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.
Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.
É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.
Postado por Emir Sader
Disponível em: http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1 (acesso em 07 de novembro de 2009)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Dois Recados - Simpósio de Jornalismo Científico e Rodrigo Serra Debatendo Royalties
Dois recados envolvendo ações da UENF. Um chamando para os minicursos que ocorrerão no "I Simpósio de Jornalismo Científico.
O outro refere-se ao projeto "Participação Política e Estado – implementação institucional de ações para o controle social dos governos locais".
O projeto em questão chama para a aula do professor Rodrigo Serra amanhã no IFF onde terá lugar o fundamental debate para esta região e arredores: a questão dos royalties.
_____________________________________________________________________
Prezados(as) inscritos no 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico,
Informamos que, além de prorrogar as inscrições para o Simpósio, incluímos dois minicursos na programação: 'Faça o seu blog' e 'Tratamento de imagem digital'. Eles serão ministrados respectivamente por Fabrício Silva Santos e Alexsandro de Azevedo, dois profissionais da área de Comunicação da Uenf. Os minicursos serão simultâneos, em 26/11, das 9h às 11h. Logo não será possível participar dos dois.
Como as vagas são limitadas, quem tiver interesse em um dos minicursos deve se apressar e inscrever-se na própria página do Simposio (www.uenf.br/simposio).
Já somos mais de 300 inscritos, entre jornalistas, estudantes de Comunicação, pesquisadores, pós-graduandos, bolsistas de Iniciação Científica e outros perfis de cidadãos e cidadãs. Apesar da excelente resposta em inscrições, pudemos prorrogar o prazo em vista da capacidade do Centro de Convenções da Uenf.
Agradecemos o interesse de todos e desejamos um excelente Simpósio!
Gustavo Smiderle e Fúlvia D'Alessandri
Jornalistas da Ascom/Uenf e membros da Comissão Organizadora
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Sábado dia 07.11.09 no IFF, no auditório Reginaldo Rangel, Rodrigo Valente Serra Professor/Pesquisador do Mestrado em Engenharia Ambiental do IFF, dará a aula: Royalties do Petróleo: diferentes formas de distribuir e aplicar as rendas do petróleo. Pretende-se apresentar as formas alternativas de distribuir e aplicar os royalties do petróleo à luz dos projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado; Assim como, proporcionar o debate sobre experiências de controle social sobre distribuição e aplicação das rendas do petróleo no Brasil e no mundo.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Adeus a Claude Lévi-Strauss

Foto disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364788-5603,00-MORRE+CLAUDE+LEVISTRAUSS.html
Claude Lévi-Strauss morre aos 100 anos
4/11/2009
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – O antropólogo Claude Lévi-Strauss morreu, aos 100 anos, na madrugada do último domingo (1/11). O anúncio foi feito apenas nesta terça-feira (3/11) pela Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris (França).
Conhecido como o fundador da antropologia estruturalista, Lévi-Strauss participou, na década de 1930, da missão francesa que organizou alguns dos cursos da Universidade de São Paulo (USP) pouco após sua fundação, em 1934.
De acordo com Fernanda Arêas Peixoto, professora do Departamento de Antropologia da USP, a influência intelectual de Lévi-Strauss – que realizou no Brasil seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas – transcende a antropologia.
“Ele foi sem dúvida um dos maiores antropólogos da história e, a partir de seus trabalhos ligados ao âmbito do parentesco e dos mitos, influenciou todos os ramos da antropologia. Mas, especialmente a partir de 1962, com a publicação de Pensamento selvagem, sua obra passou a dialogar com a filosofia. Daí em diante, o estruturalismo adquiriu uma importância enorme, com impacto na filosofia, na psicanálise, na crítica literária e nas ciências humanas de modo geral”, disse à Agência FAPESP.
Segundo Fernanda, que em 1991 defendeu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a dissertação de mestrado Estrangeiros no Brasil: a missão francesa na USP, o inegável impacto do pensamento de Lévi-Strauss sobre a antropologia brasileira se deu por meio de sua obra posterior à estadia no país.
“Na época da missão francesa, entre 1935 e 1938, ele era um jovem etnógrafo em período de formação. No Brasil, fez suas primeiras pesquisas de campo e trabalhos etnográficos. Publicou aqui seus primeiros trabalhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, fixou-se nos Estados Unidos, onde completou sua formação”, contou.
A leitura de Lévi-Strauss feita pelo norte-americano David Mabury-Lewis, na década de 1960, exerceu forte influência na antropologia brasileira, reintroduzindo no país a obra do antropólogo nascido em Bruxelas, de acordo com Fernanda. Segundo ela, Mabury-Lewis participou naquele período do projeto Harvard-Brasil Central, realizado pelo Museu Nacional em parceria com a Universidade de Harvard (Estados Unidos).
Sob orientação de Fernanda, a mestranda Luiza Valentini está atualmente realizando uma pesquisa – com apoio da FAPESP – sobre a interação entre Lévi-Strauss, Dina Dreyfuss (sua esposa na época da missão francesa) e o escritor Mário de Andrade, que na década de 1930 empreendeu um amplo trabalho de campo sobre manifestações da cultura popular brasileira.
O trabalho tem base em documentação inédita da Sociedade de Cultura e Folclore dirigida por Andrade na época. “Mário de Andrade foi muito marcado por essa colaboração”, disse Fernanda.
Tristes trópicos
“Estudou na Universidade de Paris e demonstrou verdadeira paixão pelo Brasil, conforme registrado em sua obra de sucesso Tristes Trópicos, em que conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do país. Lévi-Strauss completaria 101 anos no fim deste mês”, divulgou a reitoria da USP em nota oficial.
Em 1927, Lévi-Strauss iniciou seus estudos em filosofia. Começou a lecionar em 1932. Em 1935, levado pelo “desejo da experiência vivida das sociedades indígenas”, como contou, aceitou lecionar na USP durante três anos. Nesse período, empreendeu diversas missões de estudo entre os índios Bororo e Nhambiquara, em companhia de sua esposa. O casal se separou em 1939, ao retornar à França. O antropólogo se casou novamente em 1945 e em 1954.
Banido do ensino em seu país, em decorrência das leis antissemitas da França ocupada do regime de Vichy (1940-1944), partiu para Nova York, onde teve contato com os surrealistas e se aproximou de Roman Jakobson, linguista que teve influência decisiva na construção de sua obra.
O pós-guerra foi um período instável para Lévi-Strauss, que publicou então suas primeiras obras de peso, ainda não reconhecidas. Foi adido cultural em Nova York e participou de missões da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Índia e no Paquistão. Em 1950, foi nomeado professor da Escola Prática de Altos Estudos da França.
Em 1955, publicou Tristes trópicos, um relato de suas viagens que se tornou ao mesmo tempo um sucesso literário e uma referência científica. Publicou Antropologia estrutural em 1958 e em 1959 assumiu o Departamento de Antropologia Social do Collège de France, passando a desenvolver atividade intensa como autor e organizador, que lhe valeram crescente reconhecimento internacional. Depois de O Pensamento selvagem (1962) e os quatro volumes de Mitologias, passou a ser reconhecido com um dos grandes autores do século 20.
O texto acima foi extraído de:
http://www.agencia.fapesp.br/materia/11301/especiais/claude-levi-strauss-morre-aos-100-anos.htm
Lula, o Estadista do Ano

Depois que Obama chamou Lula de “o cara”, que Chávez o comparou a Cristo, chegou a vez dos ingleses. Nesta quinta-feira, em Londres, o Real Instituto de Assuntos Internacionais do Reino Unido concederá ao presidente o prêmio de “Estadista do Ano”.
Para os ingleses da Chatham House, durante a gestão de Lula o Brasil teria fortalecido sua inserção no cenário global e atuado para alcançar o consenso em foros multilaterais econômicos e comerciais. E, principalmente, o prêmio é concedido pelos resultados atingidos pelo Brasil na redução da pobreza por meio de políticas econômicas que garantiram o equilíbrio fiscal e a estabilidade inflacionária.
domingo, 1 de novembro de 2009
Roberto Torres
Para compreendermos o que o PSDB quer para o Brasil precisamos compreender a nocão que eles tem de democracia. Creio que o ponto chave para isto é investigar o apego "afetivo" da reflexao tucana sobre a democracia, embora nem sempre confessável, à tradicao do despotismo esclarecido, ainda que mediada por mecanismos formais de representacao. No texto abaixo, publicado no "Estadao" deste domingo, fica claro como a relacao carismática entre o povo e o presidente é tida sempre como antidemocrática pela inteligência tucana, de modo que a forma apregoada pelo despotismo esclarecido não deixa lugar a uma outra que nao passe pelas organizacoes "originais", como se fosse óbvio que os interesses populares sempre estivessem organizados em partidos, que todos tivessem igual acesso a organizacões ou que nos partidos existentes nao houvesse uma identificacão carismática entre líderes e liderados, sedimentada em afeicões positivas e negativas em relacão a interesses de outros setores da sociedade. Na versao (assumida em público) da democracia tucana é como se não houvesse organizacoes nao partidárias com poder decisório capaz de influenciar o governo, como se o Lula é que tivesse inventado este absurdo - o "dever ser" neste caso serve sempre a fins de dominacão, pois como diria Bourdieu, ele aparece sob a forma de um "como se", como pura mistificacão-. Ora, quando as organizacoes corporativas são apenas a dos "empresários modernos" "pode", mas quando os trabalhadores resolvem tambem fazer o mesmo "assim não pode, assim não dá". A democracia seria o mundo de interesses individuais "soltos" em igualdade de condicoes para influir através de partidos? Nao vejo outra alternativa na inteligência tucana. Para FHC o Brasil continua sendo atrasado na mesma medida em que "desfigura o original"... a questao é dizer com clareza de onde vem este original, se de algum lugar concreto deste planeta ou se da adesao (irrefletida?) de nossa inteligência às mistificacões que as "democracias desenvolvidas do atlântico norte" fazem sobre si mesmas.
Para onde vamos?
Fernando Henrique Cardoso
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o." Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: "Minha Casa, Minha Vida"; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: "L"État c"est moi." Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o "nosso pré-sal". Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no "dedaço" que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nesta semana foi lançado no 33º Encontro Anual da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) o livro “A ralé brasileira: quem é e como vive” (UFMG, 2009), organizado pelo Professor Jessé Souza (UFJF), com textos de pesquisadores que durante quatro anos trabalharam no projeto deste livro. Entre eles estamos Fabrício Maciel e eu. O livro é composto por uma serie de estudos empíricos sobre a reprodução da desigualdade e das condições de vida da “ralé” e é escrito numa linguagem acessível ao público não acadêmico. Tentamos tirar os jargões da acadêmica sem abrir mão da precisão analítica e da crítica ao senso comum. Nossa motivação principal: um diálogo entre “leigos” e “especialistas” não é apenas possível, mas sobretudo necessário para enfrentar a visão hegemônica sobre a mazela brasileira. O fundamento deste diálogo é o interesse em romper com o senso comum, com a aliança entre má fé e ignorância que ajuda a reproduzir e a legitimar as condições de vida injustas como as que o Brasil permite à sua “ralé”. “A ralé é a grande questão esquecida. O Brasil não tem 500 problemas, mas um grande problema, que é essa desigualdade abissal do qual decorre mais de mil problemas”, resume Jessé Souza em entrevista.
O livro é um convite ao debate sobre as consequências e os interesses dos encadeamentos ideológicos que se mostram por exemplo na crítica da classe média ao Bolsa Família. O Jornal Globo, por exemplo, insiste em vender a legitimidade de que precisa o sentimento fascista das classes privilegiadas contra os pobres no Brasil. No ultimo domingo mais uma vez fizeram uma reportagem que denuncia o quanto o programa Bolsa Família inibe a geração de empregos formais: “os beneficiados se acomodam ao padrão de vida possível com o beneficio”, eis a sentença, cujo desdobramento condenatório não dizem em publico, mas que o “publico” a qual se dirige entende muito bem: estes pobres acomodados deveriam então ser “incentivados” ao trabalho e a investir no futuro com o fim do programa de transferência de renda que estimula a falta de vontade para mudar de vida. Seria preciso um “choque de capitalismo” para “acordar” este povo “atrasado”.
Esta “polemica” me parece ser um grande exemplo de como se pode tirar proveito da aliança entre ma-fé e ignorância que constitui o senso comum conservador (existe um senso comum progressista constituído pela combinação cognitivo-motivacional entre intuição contra-fática e boa fé). Na reportagem exibida na internet via-se “Bolsa Família inibe Emprego Formal”. Ao clicar lia-se: “85 cidades do país com maior cobertura do Bolsa Família, só um 1,3 % da população trabalha com carteira assinada”. Por fim, no texto, temos a “insignificante ressalva” que, da forma como foi editada a reportagem, é apresentada como se em nada alterasse a relação causal postulada: “ A precariedade do emprego formal nessas cidades - municípios pobres, com população abaixo de 30 mil habitantes - não tem relação direta com a concessão do Bolsa Família. Existem barreiras anteriores ao programa que impedem o acesso dos trabalhadores a empregos: a baixa escolaridade e a falta de capacitação profissional. As parcas vagas com carteira assinada no comércio de Presidente Vargas exigem ensino médio.” O jornal dá o recado na manchete, constrói a legitimidade da tese que o programa Bolsa Família prende os pobres em sua vida miserável, e relativiza os fundamentos cognitivos da tese somente para quem lê “por dentro” sem comprometer o que foi “estampado”.
No dia seguinte estava lá o PSDB em sua página na internet “bebendo da fonte” e criticando o governo por esconder a miséria, sem ter, no entanto, coragem de assumir uma posição clara sobre a “tese”: pobres assistidos pelo Estado desistem de procurar trabalho e continuam pobres. Como se constrói a “plausibilidade” desta tese, como se pode “fundamentar” a mentira? Como Lukács resumiu, toda mentira ideológica é simplesmente uma inversão das causas pelos efeitos. E é precisamente esta inversão, que mesmo sendo condessada pela ressalva do Jornal, não é efetivamente “vista”(no sentido de ser levada em consideração). A pobreza, com suas privações não somente econômicas, mas também morais, culturais e políticas, não é vista em suas conexões causais que reproduzem a exclusão. Sobretudo, no caso da “tese” tornada “plausível” pela reportagem, não “salta aos olhos” de ninguém como a experiência acumulada da privação, e não a ajuda do governo para amenizá-la, impede a formação de uma disposição para “crer” e assim investir no futuro. A aliança entre má-fé e ignorância que sustenta o senso comum conservador não admite o quanto pode ser plausível para um ser humano priorizar o presente ou o futuro imediato, e não o futuro longínquo, em seu modo de conduzir a vida e tomar decisões.
Este senso comum que “naturaliza” a desigualdade e que sempre busca por a culpa do fracasso na própria vitima (ou no Estado, sempre buscando um “bode expiatório”) toma como um fato óbvio da vida “querer estudar” e “investir” numa vida melhor para daqui a 10 ou 20 anos, como se todos os indivíduos, independente de suas condições sociais, pudessem agir e conduzir a vida deste modo. Como pode não ser crível e “racional” para alguem a necessidade de sair da pobreza, por mais que ela se encontre amenizada em comparação com 10 anos antes? Uma questão como esta nunca é feita antes de se proferir a sentença condenatória – “deixem morrer estes pobres que não querem deixar de ser pobres!” - que ninguém assume, mas que todos estão dispostos a aplaudir.
O que faz um indivíduo de uma família pobre como esta que o jornal exibe em sua reportagem não investir no futuro é antes de mais nada o fato dele não ter podido acreditar no futuro. Ninguém investe naquilo que não crê e isto vale também para o mundo da racionalidade econômica com suas estratégias de futuro. Como alguem que herdou dos pais e experimentou por conta própria o saber de que o sentido da vida é protegê-la das ameaças iminentes (defendendo-a da fome, da delinquência etc. ), e cujas condições sociais insistem em confirmar este sentido, pode acreditar que vale a pena se preocupar com daqui a 10 ou 20 anos? Como pode alguem com esta trajetória sem futuro querer procurar um emprego que mude o patamar de vida, e assim achar a “porta de saída” do Bolsa Família sabendo que este emprego nunca foi para ele fonte de nenhuma segurança? Não seria mais compreensivo contar com a segurança, ainda que minguada, do Bolsa Família, do que arriscar sair do critério de cobertura do programa e logo ficar sem emprego e sem amparo do governo? Deveriam aqueles chefes de família, sem escolaridade adequada, procurar um emprego para “subir na vida” e assim arriscar a única fonte de segurança alimentar dos filhos? O que o senso comum conservador chama de “se acomodar com a pobreza” não seria o limite da razoabilidade para os que sabem na pele e no estômago como funciona a “ditadura do presente”?
Nenhuma destas questões pode ser enfrentada por este senso comum “não ilustrado” que se informa através de O Globo, Veja, Folha etc. Mas a má fé misturada com ignorância se protege de tudo isto, deixando fora de questão o “fundamento cognitivo” que motiva sua cumplicidade com a opção por “deixar morrer” os que se mostrem economicamente presos ao passado (inúteis). Com esta cumplicidade se produz uma versão tropical, embora invisível em sua radicalidade, de um totalitarismo bio-político que significativamente em nada difere do nazismo: “só devem viver aqueles corpos saudáveis (sem doencas físicas e "espirituais" como o comodismo) que contribuem para o futuro”.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico - UENF - Campos dos Goytacazes - RJ
Como é praxe neste espaço divulgamos as boas iniciativas acadêmicas que ocorrem em Campos e alhures. Esta terá lugar justamente em Campos, na UENF, e está sendo cuidadosamente planejada pelo competente grupo da Assessoria de Comunicação da UENF (ASCOM). Trata-se do I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico (maiores informações aqui), que ocorrerá nos dias 25 e 26 de novembro do ano corrente.
Na realidade para Campos, especialmente, há um significado especial. Afinal, há aqui a expansão da UFF, o IFF, o campus de pesquisas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a própria e premiadíssima UENF... e um jornalismo científico ainda deficitário, aparentemente pouco preparado para fazer com que a população em geral compreenda o que é feito nas diferentes áreas de pesquisa, muitas vezes apresentando-se enquanto gargalo “em si” para a boa divulgação científica. Talvez esse déficit de formação explique, dentre outras variáveis, a baixa entrada da alta produção de pesquisas na mídia local....Ressalto apenas que o Simpósio, nacional, não objetiva por razões óbvias solucionar essa questão. Mas, decerto oferecerá um bom momento para o debate em diferentes níveis, sobre e para além do nível local.
Este “vácuo” de informação certamente poderia ser enfrentado e iniciativas deste quilate oferecem uma excelente oportunidade para pensarmos a ciência não como elemento exótico das sociedades humanas, vide a imagem caricata do cientista de jaleco branco, óculos e cabelos desgrenhados. O debate sobre ciência deve ter um retorno direto para a sociedade, a grande financiadora dos avanços científicos na periferia, dado que se não fosse o repasse estatal dos impostos arrecadados, simplesmente estaríamos ainda na era da “roca de fiar” dado o nosso empreendedorismo de mercado invariavelmente paralítico.
Não percam! Mas, notem que o prazo para inscrição, on-line e realizado no site do próprio evento, irá até o dia 31 de outubro.
sábado, 24 de outubro de 2009
O Governo Lula e a identidade do PSDB

A coletividade que consegue elaborar com sucesso esta resposta tem um futuro longínquo (os Judeus são um grande exemplo disso), e a que não consegue está a um passo do desaparecimento. No plano individual responder essa pergunta é a base para a sanidade mental. Se o amigo leitor nunca passou por uma crise pessoal que lhe colocasse a frente com esse fantasma que eu narrei acima, experimente imaginar esta situação (mas não muito, não chegue muito perto do abismo porque e perigoso, vc pode não conseguir voltar), e aí vc poderá ter uma noção do que passa o PSDB.
O PSDB, assim como todo conservadorismo contemporâneo, criou sua identidade baseada na idéia de eficácia técnica. Acreditavam piamente que eram os portadores do saber técnico administrativo, que eles tinham a formação e o quadro técnico mais capaz (eficaz) de gerir o Estado. Assentados sobre esta ideologia tecnocrata acalentavam o maior sonho da direita, i. e., acabar com a política, no que esta representa a arena de conflitos. Sempre sonharam substituir o debate de valores e sentido do mundo, assim também como conflitos e demandas de classe, por equações e cálculos administrativos e econômicos que, segundo eles, seriam bons para todo mundo. Olhavam-se no espelho, e tinham a certeza de que viam a imagem de grandes tecnocratas, “experts” do gerenciamento do Estado.
Por outro lado, um modo eficaz para se construir uma identidade é criar um idéia do que é o “outro”. Inventando um “outro”, começa-se a desenhar a idéia do que “eu sou”, assim logo sou o “não-outro”, o seu oposto e sua negação. Desse modo o PSDB sempre acreditou que o PT de Lula, na melhor das hipóteses, seria um conjunto de indivíduos bem intencionados até, mas incapazes (por falta de eficácia técnica) de gerir um Estado. Os seus melhores quadros seriam tão somente um bando de voluntaristas, que queriam até o bem, mas não sabiam como fazer, acreditando apenas na boa intenção.
Neste caldo de formação de identidades estavam em jogo um serie de generalizações que formavam oposições entre esses grupos, que de alguma forma se personificavam nas figuras de Lula e FHC. De um lado a excelência acadêmica de FHC, do outro a baixa formação educacional de Lula; o porte e estilo “quase” europeu de FHC que seduzia nossa elite colonizada versus a figura mestiça de um retirante nordestino. Se buscarmos, podemos encontrar muito mais, como o racionalismo acadêmico do PSDB em contraposição ao sentimentalismo da esquerda católica que apoiava o PT etc.
Mas a verdade é que a história se mostrou muito diferente do que pensava o “experts” do PSDB. O governo Lula surpreendeu os mais otimistas, foi muito melhor não só naquilo que podiam se esperar (justiça social, interrupção das privatizações, ensino superior) mas também foi muito melhor nas áreas em que o PSDB construiu seu discurso de identidade. O governo Lula obteve sucesso na economia, na política internacional, no controle da inflação etc. e assim minou os pilares de sustentação do castelo de sonhos dourados do PSDB. O PSDB se encontra a beira daquele abismo que falamos no início do texto, não sabe por onde começar a reconstruir um discurso de identidade, não sabe o que dizer. . . justamente porque não sabe quem é.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O ponto de saturação
Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros. O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo. Com a aproximação das eleições de 2010, ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação. O artigo é de Saul Leblon.
Saul Leblo, do portal Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br)
“Alojamento de Lula tem risoto, uísque e roda de viola até a madrugada.” Sob esse título auto-explicativo, a Folha [edição de 16-10] resumiu em uma retranca o espírito da cobertura oferecida aos seus leitores durante a viagem de três dias feita pelo Presidente Lula às obras de interligação de bacias do rio São Francisco, uma das mais importantes do seu governo.
O propósito de diminuir e tratar o assunto com escárnio e frivolidade se reafirmou em legendas de primeira página ao longo da visita. No dia 15-10, o jornal carimbava uma foto de Lula e da ministra Dilma Rousseff pescando no São Francisco, em Buritizeiro (MG), com a chamada: 'Conversa de Pescadores' . A associação entre a legenda e o discurso da oposição, para quem as obras são fictícias e a viagem, eleitoreira, sintetiza o engajamento de um jornalismo que já não se preocupa mais em simular isenção.
No dia 17, de novo na primeira página , o jornal estampa a foto do Presidente atravessando o concreto ainda fresco sobre a legenda colegial: ‘A ponte do rio que caiu’. A imagem de Lula equilibrando-se em tábuas improvisadas inoculava no leitor a versão martelada em toda a cobertura: trata-se de uma construção improvisada, feita a toque de caixa, com objetivo apenas eleitoreiro. É enfadonho dizê-lo, mas o próprio jornal se contradiz ao entrevistar Dom Luis Cappio, o bispo de Barra (BA), um crítico ferrenho da obra. Segundo afirmou o religioso ao jornal, ‘as obras avançam como um tsunami’. Sua crítica recai no que afirma ser a ‘marolinha’ das medidas - indispensáveis - de recuperação ambiental do rio. Diga-se a favor do governo que estas, naturalmente, serão de implementação mais lenta, na verdade talvez exijam um programa permanente.
Como o próprio bispo de Barra esclarece, não se trata apenas de promover o saneamento de esgotos e dejetos nas cidades ribeirinhas, como já vem sendo feito, ineditamente, talvez, na história dos rios brasileiros de abrangência interestadual. O resgate efeitvo do São Francisco passa também pela recuperação das matas ciliares, prevista nas obras, mas remete igualmente à recuperação de toda a ecologia à montante e para além dos beiradões, inclusive as veredas distantes onde estão nascentes, olhos d’água, lagoas de reprodução destruídos pela rapinagem madereira e carvoeira. Só quem acredita em milagres pode exigir, como faz Dom Cáppio, que um único governo reverta essa espiral de cinco séculos de omissão pública da parte, inclusive, daqueles que demagogicamente criticam as obras hoje como ‘uma ameaça ao velho Chico’.
O único acesso que a família Frias ofereceu aos leitores para que pudessem avaliar a verdadeira dimensão da obra ficou escondido na página interna da edição do dia 17, na belíssima foto que ilustra a página 12. Ali, um Lula solitário caminha por um gigantesco canal de concreto que rompe o horizonte até lamber o céu sertanejo. Há um simbolismo incontornável na imagem de um Presidente que se despede diluindo-se em uma obra gigantesca. Ela consagra seu retorno à terra de onde partiu como retirante e para onde voltou, Presidente, levando água a quem não tem - compromissos mantidos, apesar de tudo.
A solenidade da foto contrasta com o tom de adolescência abusada da cobertura, o que impediria o jornal de utilizar a imagem na primeira página, embora do ponto de vista estético e jornalístico ela fosse muito superior à escolhida. Tanto que o editor da página 12 não se conteve e abriu cinco colunas para a fotografia.
Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros.
O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo. Nesse aspecto não houve rigorosamente qualquer evolução após seis anos em que todos os preconceitos contra Lula foram desmoralizados na prática. A retomada do crescimento com inflação baixa e maior equidade social, por exemplo, distingue seu governo positivamente da paz salazarista imposta pela ortodoxia tucana no segundo mandato de FHC. A popularidade internacional do chefe de Estado brasileiro constitui outro fato sem precedente, só suplantado, talvez, pela velocidade da recuperação da nossa economia em meio à maior crise do capitalismo desde 1930. Tudo desautoriza as previsões catastróficas das viúvas provincianas do tucano poliglota.
Mas se a realidade desmentiu o preconceito, em nenhum momento a mídia conservadora deu trégua a um indisfarçável desejo de vingança que pudesse comprovar a pertinência de uma rejeição de classe ao governo Lula . Com a aproximação das eleições de 2010, a ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação.
Em artigo publicado no Estadão [19-10] o físico José Goldemberg, por exemplo, um quadro de extração tucana, saiu em defesa da construção de hidrelétricas pelo governo Lula, objeto de críticas estridentes de um jornalismo que prefere esquecer a origem do apagão em 2001/2002. Na área da saúde, o respeitado cardiologista Adib Jatene, que já foi secretário de Paulo Maluf mas supera qualquer viés político pela inegável competência científica e discernimento público, tem vindo a campo com freqüência defender a necessidade de um novo imposto, capaz de mitigar o estrago causado à saúde pública pela revogação da CPF. Mais uma ‘obra coletiva’ assinada pela mídia e a coalizão demotucana.
O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, do staff serrista, foi outro a manifestar seu desagrado com o estado das coisas. Bresser, que já defendeu abertamente o projeto de Lula para o pré-sal, rechaçou a demonização do MST articulada pela mídia e ruralistas, por conta da derrubada de laranjeiras em terras públicas ocupadas pela Cutrale [artigo na Folha 19-10]. Pode ser apenas miragem do horário de verão, mas o que essas manifestações parecem indicar é uma rebelião da inteligência –ainda que avessa ao PT - contra a a idiotização da agenda nacional promovida pelo jornalismo demotucano.
A patogenia infelizmente não é privilégio brasileiro. Na Argentina, o cerco da grande imprensa ao governo Cristina Kirchner recorre a expedientes idênticos de mentiras, fogo e fel . Com Morales, na Bolívia, não tem sido diferente. Na Venezuela, há tempos, o aparato midiático tornou-se paradigma de um engajamento que atravessou o Rubicão do golpismo impresso para se incorporar fisicamente à quartelada que quase derrubou Chávez em 2002 . Enganam-se os que enxergam aí também a evidência de uma fragilidade congênita à democracia latinoamericana. Acima do Equador as coisas não vão melhores. O democrata Barack Obama é vítima de um cerco raivoso e racista de jornais e redes, como é o caso da Fox, do direitista Rupert Murdoch que detém também o Wall Street Journal.
A repetição e o alcance dos mesmos métodos e argumentos nas mais diferentes latitudes parece indicar que estamos diante de um fenômeno de recorte histórico mais geral. O fato é que o conservadorismo está acuado em diferentes fronteiras após o esfarelamento econômico e político do credo neoliberal. A falência dos mercados financeiros desregulados na maior crise do capitalismo desde 1930 já é reconhecida, à direita e à esquerda, como um novo divisor histórico. Corroído em seus alicerces de legitimidade pela falência de empresas, famílias e bancos, ademais do recrudescimento do desemprego e da insegurança alimentar - inclusive nas sociedades mais ricas - o conservadorismo vê sua base social derreter. A radicalização do seu ‘braço midiático’ soa como uma tentativa derradeira de reverter o processo ainda nos marcos da democracia, desqualificando o adversário mais próximos formado por partidos e governos progressistas. A radicalização é proporcional à ausência de um projeto conservador alternativo a oferecer à sociedade.
Abre-se assim uma etapa de absoluta transparência, uma radicalização aberta; um embate bruto de forças em que a mídia dominante não tem mais espaço para esconder os interesses que representa. Tampouco parece ter pejo em descartar uma neutralidade – que, diga-se, a rigor nunca existiu - mas da qual sempre se avocou guardiã para descartar a democratização efetiva dos meios de comunicação. A isenção parece, enfim, não representar mais um valor passível sequer de ser simulado.
A diferença entre o que acontece no caso brasileiro e o resto do mundo é o grau de envolvimento do governo na reação em sentido contrário a essa ofensiva. A liberdade de informação e o contraditório aqui respiram cada vez mais por uma rede de blogs e sites de gradiente ideológico amplo, qualidade crescente e capacidade analítica incontestável. Mas ainda de alcance restrito. O protagonismo do governo e o dos partidos e sindicatos que poderiam ir além na abrangência de massa, é tíbio. Na Venezuela não é assim. Na Bolívia – que acaba de criar um grande jornal diário de recorte progressista-- não está sendo. Na Argentina onde foi votada uma lei de comunicação que desmonta a estrutura monopolista do conservadorismo midiático, caminha-se também sobre pernas da urgência. Acima da linha do Equador a contundência das respostas oficiais destoa igualmente do acanhamento brasileiro. Na verdade, talvez a caracterização mais dura da decadência dos princípios liberais na mídia tenha partido justamente dos porta-vozes do governo Obama, Anita Dunn, Diretora de Comunicações do Presidente e David Axelrod,principal assessor de comunicação do democrata.
"A rede Fox está em guerra contra Barack Obama (...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição", resumiu recentemente a atilada Diretora de Comunicações da Casa Branca. Numa escalada de entrevistas e disparos cuidadosamente arquitetados, Dunn e Axelrod falaram alternadamente a diferentes segmentos midiáticos de todo o país. E o fizeram com o mesmo propósito de colocar o dedo numa ferida chamada Rupert Murdoch. "Mr. Rupert Murdoch tem talento para fazer dinheiro, e eu entendo que sua programação é voltada a fazer dinheiro. Só o que argumentamos é que [seus veículos] não são um canal de notícias de verdade. Não só os âncoras, mas a programação toda. Não é notícia de verdade, mas é a pregação de um ponto de vista. E nós vamos tratá-los assim ", bateu Axelrod em seguida ao ataque de Anita Dunn.
O guarda-chuva dos ataques a Obama têm como alvo o projeto de reforma do sistema de saúde, que, entre outras medidas, quer colocar sob responsabilidade do Estado cerca de 50 milhões de norte-americanos hoje ao desabrigo de qualquer cobertura.
A defesa do livre mercado na saúde é só a ponta do iceberg do ataque midiático. Por trás desse biombo o que se move é uma engrenagem endogâmica em que se entrelaçam o fanatismo e o dinheiro da direita republicana, postados dentro e fora da mídia. Sua meta é clara: desconstruir e imobilizar o sucessor de George W. Bush. Não há muita diferença entre o que se passa nos EUA e a divisão de trabalho observada no Brasil, onde as rádios chutam o governo Lula abaixo da linha da cintura; os jornalões desgastam e denunciam, enquanto a Globo faz a edição final no JN, transformando o boa noite diário da dupla Bonner & Fátima uma espécie de ‘meus pêsames, brasileiros pelo governo que escolheram; não repitam isso em 2010’.
No caso dos EUA, um país visceralmente conservador e racista não há , a rigor, grande surpresa pelos ataques da Fox & Cia a um Presidente negro e democrata. O que surpreende, de fato, é que Obama está reagindo. E o faz com um grau de contundência que, oxalá, sirva de inspiração para que um dia também possamos ouvir nos trópicos um porta-voz do Presidente Lula dizer com igual limpidez e serenidade, sem raiva, mas pedagogicamente: "A Folha está em guerra contra Lula(...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o Presidente fala à Folha já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O Presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição."
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
A instalacao de uma CPI para investigar repasses de verbas do governo a entidades ligadas ao MST e um insulto a democracia, um gesto truculento que conta com o apoio dos inimigos de sempre dos pobres: a midia golpista, os partidos de direita (DEM e PSDB) e a alianca de classe que da vazao ao desejo ruralista, que no fundo e de exterminar fisicamente estes pobres, que ao inves de estarem lambendo os pes dos seus "donos", decidem se organizar autonomamente para defender os proprios interesses. Nem mesmo Bresser Pereira aceitou engolir calado este absurdo e declarou de modo muito preciso que o MST e a unica organizacao que defende os interesses dos pobres neste pais. De fato a Historia parece mostrar que no Brasil foi o MST a experiencia exemplar que consegui ultrapassar os limites do sindicato de fabrica como forma de organizacao popular na politica. E justamente esta exemplaridade anima o odio de classe de gente como Ronaldo Caiado, Katia Abreu e sua turma. Querem liquidar o MST porque so gostam do povo quando este sabe obedecer. Querem matar o MST do mesmo modo que FH achou estar matando Lula em 2006 ("Lula esta morto", dizia ele em comicio no inicio de campanha). Em tempos de revolucao esta gente inauguraria a guilhotina....Quem ainda acha que luta de classes e coisa do passado, por so conseguir ver a classe quando ela se organiza e aparece na rua dizendo "somos uma classe", nao deveria mais duvidar. Mas cegueira cognitiva sempre resulta da identificacao afetiva com os dominantes.
O MST, em toda sua historia, mais do que o movimento operario brasileiro, tem mostrado como a luta de classes e uma luta pela vida, pois a luta pela dignidade no campo sempre encontrou como tarefa imediata a de ter que defender a vida enquanto tal, seja da fome, seja das emboscadas dos fazendeiros. Eu tenho varias criticas a hegemonia intelectual do MST, mas a simples existencia do MST e um fato que os que acreditam na democracia e na mudanca social devem louvar a cada dia no Brasil. Como essa gente humilhada e desacreditada todos os dias consegue encontrar forcar para lutar por um futuro coletivo e construir solidariedade entre si nao e nada obvio, mas um fenomeno altamente improvavel. Nao depende da ajuda do governo para existir, nem do PT, nem de ONG. Mas qual o argumento que se pode usar contra o governo decidir estimular, com dinheiro, a organzacao politica dos pobres a nao ser um argumento politico contra os pobres?
E preciso que todos os partidos de esquerda enfrentem esta luta e mostrem solidariedade politica ao MST. A popularidade do Presidente Lula nao pode ficar pendurada na parede, ou ser usada apenas na campanha eleitoral. Espero que, sendo necessario, ele a use em favor do seu povo.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Exposição NU V E M

Car@s,
Não perca! Afinal, como informa o release:
"Por sua propriedade de eterno deslocamento e metamorfose, “Nuvem" foi a escolha dos artistas Chang Chi Chai, Lin Lima e Begué para nomear os projetos artísticos desenvolvidos pelo grupo que têm, como questão fundamental, a relação arte e natureza. São trabalhos elaborados a partir da imersão no ambiente em seu sentido mais amplo (físico, geográfico, ecológico, sócio-cultural, afetivo, etc), a partir dos deslocamentos geográficos, do encontro com espaços e temporalidades diversas, das conexões e fragmentações que se estabelecem a partir desses contatos. Trabalhos que interrogam as noções e relações entre natureza e artifício, natureza e cultura, natureza e tecnologia, entre criação e devir. "
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O LUGAR DA ANTROPOLOGIA NO "OCEANO AZUL"
Recordo que nos tempos de minha graduação em Ciências Sociais na UENF, pouco soube sobre Antropologia do Consumo ou da inserção de antropólogos no mundo corporativo. Assisti a uma aula sobre “O mundo dos bens”, considerado o marco inicial dos estudos antropológicos no campo do consumo, tal como o conhecemos hoje, mas na época, talvez por estar envolvida em outra temática de pesquisa, não dei muita importância.
No entanto, a graduação anunciava seu fim e me deparei com a possibilidade de desenvolver um projeto de pesquisa no mestrado que tangenciava o tema do consumo. Ao chegar a UFF, nas minhas primeiras aulas de Antropologia do Consumo, pensei “é isso”. Senti ter encontrado o que faria dentro da Antropologia e, certamente, essa escolha não era apenas acadêmica.
Pragmática por demais, sempre me senti deslocada e angustiada com uma crença, que parecia generalizada entre muitos de meus amigos: a carreira acadêmica era ‘o’ destino que aguardava todos nós. Quero deixar claro que não tenho nada contra a carreira acadêmica, e de todo, nunca a descartei inteiramente. Meu ponto é que ela não deveria ser uma certeza com uma aura de fardo e era exatamente isso o que ela era pra mim. Precisava saber, portanto, que eu tinha uma escolha.
Em 2006, questionando aquela que viria a ser minha orientadora sobre as perspectivas de trabalho para um antropólogo fora da academia, escutei: “Bonnie, as empresas estão desesperadas por antropólogos”.
Decidida e, desde então, sem mais questionar o que estava fazendo dentro da Antropologia, mergulhei nos estudos de consumo, de onde não mais saí, e pesquisei casos onde os antropólogos, ao prestar serviços como consultores, realizaram estudos para grandes empresas. Entre elas estavam Unilever, Xerox, Microsoft, Nokia entre outras. Havia entendido que o papel do antropólogo nessas empresas era o de ser o mediador – ou mesmo interlocutor – entre a empresa e seus clientes/consumidores-alvos, sempre na condição de um consultor. Ele seria contratado para realizar uma etnografia e para analisar os dados qualitativos resultantes das entrevistas e da observação participante, cujo resultado seria entregue num relatório final[1]. No entanto, o que tenho observado em um determinado segmento de atuação de antropólogos no mercado é diferente. Por essa razão, creio que nós, antropólogos em geral, precisamos estar atentos ao que, em minha opinião, anuncia realidades vindouras de pesquisa de campo para o mercado: realidades de ‘etnografias’ que fogem criticamente de seus principais propósitos.
A realização da etnografia, tal como é ensinada nas cadeiras de antropologia nos cursos de Ciências Sociais, preza por treinar os alunos, ao longo de várias disciplinas (e, conseqüentemente, diversos trabalhos finais) na sensibilidade e na atenção necessária ao fazer antropológico, envolvendo alguns pontos que eu discrimino a seguir:
- Uma imersão no campo que precisa estar atenta à relativização do universo cultural do pesquisador, a fim de que este absorva as riquezas culturais do que ele está se propondo a observar;
- Olhos, ouvidos, nariz... Enfim, toda sorte de sentidos da percepção aguçados na observação e sensação do ambiente em sua totalidade: físico, social, cultural etc;
- Observar o ‘outro’, livre de pré-conceitos culturais;
- Adquirir empatia para com o nativo e sua comunidade;
- Refletir fundamentado nos instrumentais teóricos para não cair em vãs comparações incomparáveis;
- Enfim, como diria DaMatta, um longo e exaustivo, porém prazeroso, exercício de tornar o exótico, familiar e o familiar, exótico.
Tudo isso para que o pesquisador tenha os resultados esperados da etnografia, resultados estes que a distinguem como um método ímpar de pesquisa sócio-cultural. Ela nos confere acesso às motivações profundas dos comportamentos individuais e sociais; permite-nos entrar em contato com o “tom emocional” (ethos) dos eventos; alcança o implícito e o explícito, os detalhes, o inconsciente (razão a qual muitos dos contratantes se atraem pelo método); capta o que ‘o nativo’, no nosso caso, ‘o usuário’ ou ‘o cliente’ não sabe e/ou não consegue racionalizar em palavras em um questionário ou grupo focal, métodos comuns na pesquisa de mercado tradicional.
Embora em níveis de profundidade e exigências diferenciados, as razões que expus acima são consideradas os grandes diferenciais e ganhos de se usar a etnografia como método tanto na academia, quanto no mercado.
Casos como o da Xerox [2], entre tantas outras etnografias de mercado bem sucedidas, ilustram que uma pesquisa de campo levada a cabo por antropólogos que passam algum tempo com consumidores em suas situações de compra e consumo pode trazer contribuições importantes à vida desses consumidores.
No entanto, algumas das pesquisas clamadas ‘etnográficas’ que vêm sendo realizadas abdicam justamente daquilo que as distinguem. Isso me leva a acreditar, diante do que tenho observado, que qualquer profissional minimamente treinado em observar usuários, independente de sua formação, pode realizar tal levantamento, pretensamente ‘etnográfico’. Pesquisas que supostamente levariam semanas ou meses para ser executadas e para condensar dados significativos sobre determinado universo sócio-cultural de consumo têm sido realizadas em períodos insignificantes, inconstantes, e mal-planejados. Exatamente por isso suas informações e análises podem ser superficiais.
No macro ambiente de mercado, o excesso de informação se tornou uma conseqüência da “era da informação”, onde o importante era adquirir o máximo de informações possíveis, criar bancos de dados, usar ferramentas estatísticas eficientes para processá-los, estar atento às notícias dos últimos minutos, porque afinal, atualizar-se é uma das competências imprescindíveis do mercado atual. No entanto, como disse recentemente um de meus professores [3], estamos passando por um momento de transição da era da informação para a “era da análise”. Isso não quer dizer que os valores da era da informação não estejam mais presentes. A mudança reflete o atual ‘estado da arte’: há um excesso de informações, mas o potencial de análise dos sistemas é insuficiente para condensá-las de forma significativa para o processo de tomada de decisão.
Em suma, há muita informação e conteúdo e pouca capacidade de análise. Ora, o que somos nós, cientistas sociais, se não treinados analistas de informações? Ir a campo, coletar dados, interagir com ‘nativos’, criar quadros mentais condensando informações, entender os universos simbólicos, comportamentos, formas de associações e relacionamento, valores, concepções de mundo, estilos de vida, histórias de vida, para então refletirmos sobre o que esses dados dizem sobre o mundo para nós. Não é exatamente isso que fazemos desde nossos primeiros ‘trabalhos finais”? Ou seja, o próprio ‘mercado’ está nos dizendo que somos peças necessárias no “oceano azul” que se delineia, onde a estratégia de expansão empresarial é mais voltada para encontrar espaços inexplorados no mercado do que para a acirrada concorrência (por uma pequena fatia) em um mercado saturado [4].
‘Pesquisas etnográficas’ se desprenderam tanto do seu caráter ‘original’ ensinado na Academia, que hoje já começa a haver uma distinção entre antropólogos e etnógrafos. Estes últimos seriam quaisquer uns daqueles que vão a campo com papel e caneta – e/ou todos os equipamentos tecnológicos disponíveis, como gravadores de áudio, câmeras fotográficas e filmadoras digitais (escondidas ou não) – em busca de um determinado comportamento de compra e uso de produtos ou serviços, de um perfil específico de consumidor.
Posso afirmar isso, até como ‘nativa’. Recentemente fui entrevistada por uma aluna de graduação (não uma graduação de antropologia) que procurava saber especificamente sobre os sapatos com os quais eu vinha trabalhar [5]. O tipo de pesquisa que a vi fazer é bem semelhante ao que sou requisitada a realizar em meu trabalho. Estive conversando com ela uns 20 a 30 minutos e por ser antropóloga já supunha algumas das questões que seriam interessantes de se apresentar a ela. Mesmo assim, deixei que ela conduzisse a entrevista e tentei, ao máximo, apresentar o conjunto de coisas que estavam relacionadas à resposta de suas perguntas – que eram gerais, temáticas e não pontuais como num questionário, o que me levava a crer que seu propósito era desenvolver uma pesquisa com um significativo viés qualitativo. No entanto, para minha surpresa, ela não anotou mais do que 10 palavras em no máximo cinco linhas, o que indicava que ela tinha um quadro mental prévio do que ela queria saber e todo o contexto que eu lhe estava sugerindo poderia ser ignorado para os seus propósitos.
O caráter exploratório de uma pesquisa etnográfica no mercado, normalmente, é quase anulado, uma vez que eles já sabem onde querem chegar. No entanto, os antropólogos que vão a campo com tempo e background suficientes, conseguem dados que não só atendem às expectativas da empresa, como apresentam questões que não foram formuladas, mas que também se mostram cruciais aos propósitos da empresa contratante. Como afirma o próprio Tom Kelley [6], antropólogos são
extremamente capazes de resolver o problema sob uma nova ótica – com base nas idéias que desenvolveram durante suas pesquisas de campo – a ponto de a observação certa não raro ser revolucionária (KELLEY, 2007: 16).
Por isso, afirmo que há uma grande difusão da pesquisa qualitativa no mercado, movimento esse que começa a se difundir nos circuitos de Marketing e Comunicação em geral e mais recentemente no Design [7]. Apesar desse reconhecimento, algumas dessas pesquisas não se atêm às características mais valorizadas do método. Um dos principais empecilhos é o tão famoso “tempo”. O texto “Etnografia: a nova pesquisa de mercado” já anuncia isso como uma realidade para a qual as empresas precisam estar atentas.
Esse tipo de processo consome bem mais tempo do que o preenchimento de um questionário ou a organização de uma discussão com a mediação de um especialista. Por isso, outra recomendação dada pelos mais experientes é reservar a esse tipo de pesquisa o tempo realmente necessário. É preciso olhar com reservas para a empresa de pesquisa de mercado que prometer utilizar a etnografia e apresentar um relatório em dez dias; um estudo dessa natureza requererá algumas semanas para soltar apenas uma "primeira avaliação". E será preciso haver uma boa equipe multidisciplinar conduzindo o estudo e representatividade dos grupos observados (HSM Management 60 Jan-fev 2007).
Antropólogos dispostos a “encarar” as etnografias de mercado devem saber que serão felizardos se tiverem a oportunidade de fazer o que é considerado uma etnografia rápida – “quick and dirty” –, levada a cabo de dois a três meses, porque a realidade atual já não mais me permite considerar muito do que tem sido feito, como etnografia, nem mesmo “quick” ou “dirty”. Por mais que eu escute nos mais diversos ambientes falas que revelam a importância de uma pesquisa qualitativa bem conduzida, seja ela etnográfica ou não, estas mesmas falas sempre vem acompanhadas de “a questão é que pesquisa é uma atividade cara e demanda muito tempo”. O que antes se pesquisava em 2 meses, hoje se faz em 1. E é isso que me preocupa. Até quando o “tempo” de pesquisa será “relativizado”.
Como não poderia deixar de atingir a nós, antropólogos, lá estão elas, as re-significações de métodos, de usos, de experiências e a tão famosa adaptação a essas transformações, onde não são os mais fortes que sobrevivem, mas os mais desprendidos dos métodos tal como aprenderam, os que facilmente se tornam “metamorfoses ambulantes”.
Nós, antropólogos, treinados a ver diversos mundos e a considerá-los (e por que não valorizá-los?) pelo que são, deveríamos, supostamente, adaptar-nos facilmente a essas mudanças. Entretanto, acredito que, consciente ou inconscientemente, haja um treinamento tão intenso de valorização da etnografia como o método por excelência da Antropologia, e do resultado que sabemos que ela é capaz de oferecer, que sentimos (ou pelo menos eu sinto) o que não acho palavra melhor para descrever do que “dó” e/ou “frustração” em ver seu potencial ser relegado a um segundo plano pelas contingências temporais, financeiras, enfim... pós-modernas.
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Seguem abaixo não apenas os artigos que foram citados, mas também os que serviram de inspiração a feitura desse artigo e que são uma excelente fonte para os interessados em entender melhor sobre as etnografias realizadas nas empresas. Eles versam tanto sobre experiências nacionais como internacionais.
BARBOSA, Lívia. Marketing etnográfico: colocando a etnografia em seu devido lugar. RAE. Vol 43. n 3. JUL/SET/2003. PP 100-105. Disponível em http://www.rae.com.br/artigos/1891.pdf. Acessado em 07 de outubro de 2009.
BARROS, Carla. A contribuição da Antropologia ao Marketing nos estudos sobre consumo. Seminário Estilo de vida e Consumo. Senac 2008. Disponível em http://www.rj.senac.br/img/Semin%C3%A1rio%20Estilo%20de%20Vida%20e%20Consumo_18%20e%2019%20de%20setembro%20de%202008.pdf. Acessado em 07 de outubro de 2009.
CAMPOS, R.; CASOTTI, L.; SUAREZ, M. Possibilidades de Contribuição da Sociologia ao Marketing: Itinerários de Consumo. Anais do II Encontro de Marketing da ANPAD – EMA, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em http://www2.coppead.ufrj.br/port/pdf/catedra/metodo_itinerarios.pdf. Acessado em 07 de outubro de 2009.
Dossiê ‘Etnografia: a nova pesquisa de mercado.’ HSM Management 60 Jan-fev 2007. Disponível em http://www.novonordisk.com.br/documents/promotion_page/document/etnografia_nova_pesquisa_mercado.asp. Acessado em 07 de outubro de 2009.
KELLEY, Tom. LITTMANN, Jonathan. As 10 faces da inovação: o poder da criatividade e da inovação na empresa. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2007.
KIM, W. Chan & MAUBORGNE, Renée. A Estratégia do Oceano Azul. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2005.
PEIXOTO, Fabio. Invasão de domicilio. Revista Exame. 08.08.2001. Disponível em http://www.culturaesociedade.org/pdf/Invasaodomicilio.pdf. Acessado em 07 de outubro de 2009.
SURI, Jane Fulton. HOWARD, Suzanne Gibbs. Going deeper, seeing further: enhancing ethnographic interpretations to reveal more meaningful opportunities for design. Journal of Advertising Research, September 2006, pp 246-250. Disponível em http://www.ideo.com/images/uploads/thinking/publications/pdfs/jar_2006.pdf. Acessado em 07 de outubro de 2009.
[1] Poderíamos considerar isso como a tradução do caminho de uma pesquisa acadêmica tradicional para uma pesquisa etnográfica voltada para um objetivo específico, demandada por um contratante: o ponto de partida com a idéia da pesquisa, seguida do planejamento de campo, trabalho de campo, análise dos dados e apresentação dos resultados encontrados.
[2] Em 1979, a Xerox “(...) contratou a antropóloga Lucy Suchman para trabalhar no centro de pesquisa instalado em Paio Alto e a incumbiu de fazer um trabalho de campo: Suchman deveria visitar as empresas que haviam instalado fotocopiadoras da marca e realizar um filme com uma síntese da "experiência" dos profissionais na hora de utilizar o equipamento. Depois de assistir à luta dos operadores com as copiadoras para tirar uma cópia, os engenheiros da Xerox começaram a desenvolver o produto de maneira diferente. A pesquisa feita pela antropóloga resultou nas atuais máquinas copiadoras (de todas as marcas), que hoje ostentam um grande botão verde bastante visível, mas que no passado ninguém conseguia encontrar. Seguindo o exemplo da Xerox, na década de 1980 as agências de design industrial começaram a incluir em seus quadros de funcionários antropólogos e sociólogos.” (HSM Management 60 Jan-fev 2007)
[3] Atualmente curso uma pós-graduação em Marketing Estratégico.
[4] A metáfora do oceano vermelho (concorrência acirrada) e o oceano azul (inovação) é discutida num livro muito comentado nos ambientes organizacionais: “A estratégia do oceano azul” de W. Chan Kim & Renee Mauborgne.
[5] Desnecessário aqui dizer o nome, o curso, ou o propósito da pesquisa.
[6] Gerente da IDEO, empresa que trabalha com Design Thinking como método para desenvolver inovação. Nesse método, a etnografia é o ponto de partida.
[7] A etnografia se destaca como método ou inspiração para os trabalhos que hoje são realizados em marketing etnográfico, branding experience, design thinking, design estratégico, user experience, design sensorial, método de itinerários, entre outros.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Jürgen Habermas
Nenhum filósofo alemão da atualidade desperta tanta atenção mundial como Jürgen Habermas. Um perfil, por ocasião do seu 80º aniversário
No final da década de 1970, os livros de Jürgen Habermas eram lidos sob a carteira escolar, às escondidas dos professores do colégio. Hoje, os textos de Habermas são leitura obrigatória. Quem não conhece seus conceitos principais, deve esconder o desconhecimento, pois seu autor tornou-se um clássico ainda em vida e tão famoso, quanto pode ser um professor de Filosofia. Isto não é um bom sinal, pois para um clássico vale a regra: suas fórmulas são conhecidas. Mas seu motivo filosófico, no qual pulsa o coração do pensamento – isto, a gente esquece.
A motivação básica do pensamento de Jürgen Habermas está às claras e, ainda assim, é difícil de ser encontrada pelos leitores. Às vezes se oculta por trás do terno cinzento da objetividade acadêmica, outras vezes desaparece sob um monte de justificações. Mas desde o início, já nos primeiros trabalhos de estudante, ela não pode passar despercebida. De forma muito simplificada, a motivação é a seguinte: quem faz uma retrospectiva da história da humanidade, descobre uma ladainha de terror, uma história chocante de violência atrás de violência. E, no entanto, há um progresso que não se pode negar, apesar de todos os reveses, uma “evolução” social e, com isto, a possibilidade de civilizar o poder e a violência ou talvez de eliminá-la inteiramente um dia. O instrumento da autocivilização é a língua humana, pois cada fala encerra um objetivo, o “télos da compreensão”. A comunicação interrompe o estado de guerra no mundo.
Quem pressupõe uma vigorosa herança idealista neste pensamento, tem razão inicialmente. Habermas, na época um estudante com pouco mais de vinte anos, confrontou-se com pensamentos grandiosos, mas extremamente especulativos, ao ler o filósofo idealista Schelling, que o fascina ainda hoje. “Deus Pai”, escreveu Schelling, retirou-se da criação, deixando o campo para o ser humano. No entanto, as criaturas beneficiadas com a liberdade têm a obrigação de fazer o uso correto da sua liberdade. Com a ajuda de sua língua, elas têm que estabelecer entre si a mesma relação de reconhecimento, que Deus teve em relação a elas, quando lhes concedeu a autonomia. Quem viola este pacto com Deus, comete novamente um “pecado original”.
Habermas, que veio do mundo de pensamento do filósofo existencial Heidegger e do antropólogo Gehlen, escreveu sua tese de doutoramento sobre Schelling e deu um rumo surpreendente à sua interpretação. Ele estabeleceu uma ligação com os primeiros escritos de Marx, cuja crítica social lhe deu a possibilidade de compreender o discurso de Schelling sobre o pecado original, de forma bem concreta, bem materialista. Um pecado original é quando as relações de poder vencem as relações da língua – quando os “libertados da criação” não escolhem a compreensão, mas sim a violência, como frequentemente na história.
Mas os filósofos não são literatos, isto é, eles têm de dar uma austeridade básica aos temas, com os quais estão “infectados”, expurgando os detritos especulativos e tornando-os compreensível ao público esclarecido, através de conceitos claros. Exatamente isto é o que Jürgen Habermas tomou como programa. Com o frio instrumento da ciência, ele quis provar que a língua não é apenas uma arma na guerra civil babilônica da sociedade, uma máscara do poder. Sua antifórmula é a seguinte: que observa bastante o tecido da língua contra a luz, quem examina o bastante as suas leis, ele reconhecerá que nela está incluída uma normatividade, uma aspiração à verdade, que podemos transgredir, mas não podemos eliminar basicamente. Com palavras, pode-se mentir e exercer o poder, mas não pode existir uma língua que esteja inteiramente baseada em mentira e engodo. “Mesmo nas comunicações patologicamente deturpadas está fincado o ferrão da aspiração pela verdade”.
Não é preciso pensar muito para ver que poder explosivo uma filosofia da comunicação, derivada de Schelling, enriquecida com Marx e temperada com os recursos da linguística, desenvolveu entre os intelectuais famintos de teoria dos anos sessenta. Eles interpretaram Habermas exatamente como ele pensava: como conclamação a uma democracia radical e à crítica radical. A democracia está danificada, onde a “opinião pública” é dominada por monopólios de opinião, manipulada por lobistas e malversada por políticos. E defeituosas são as democracias que se entregam cegamente ao curso do progresso, sem livre arbítrio, que têm “ciência e técnica como ideologia” (segundo um estudo do ano de 1968).
Na época, falou-se muito de “liberdade do poder”. Em seus escritos, Habermas quis reconhecer até mesmo um “interesse objetivo” de emancipação. Hoje, ao contrário, chama a atenção um outro caráter desses livros, um conservadorismo cultural, dito com cuidado, uma profunda ambivalência. De um lado, Habermas admira as sociedades modernas, pois elas – fato histórico singular – impuseram processos democráticos e ampliaram a “área de ação” discursiva da razão comunicativa. Mas, por outro lado, as sociedades modernas têm de ser temidas, pois seus sistemas funcionais desenvolvem um excesso de poder. As pressões capitalistas do mercado chocam com a autodeterminação democrática.
Os fios desses pensamentos juntam-se num nó monumental, nos dois tomos da “Teoria da Ação Comunicativa” (1981). Esta obra central foi celebrada, com razão, como despedida do pensamento pessimista da “velha” Escola de Frankfurt, mas nela encontra-se a mesma contradição. O dinamismo sufocante do capitalismo e também a técnica e a ciência empurram a sociedade para frente. Mas, ao mesmo tempo, parte destes “sistemas” complexos uma ameaça invisível. Eles assediam o “mundo da vida” – necessitado de zelo – dos cidadãos. Seus cálculos de proveito infiltram as velhas “tradições inconscientes-cientes” e fixam-se na esfera pré- política, na vida privada e na família. Em resumo: a vida moderna encerra uma contradição. Seus sistemas aliviam da miséria material, mas ao mesmo tempo, quase não podem ser conciliados com o dia-a-dia ou invadem como “senhores coloniais” os “poros” de formas consagradas de vida, infiltrando-as através da comercialização, da burocratização e do cientificismo.
Transposto às relações de hoje, isto significa: uma forma de “colonização” econômica está inerente à reivindicação de que a sociedade tem de ser organizada como um centro de lucro, do berço ao túmulo. O mesmo é válido para a brutal transformação das universidades, visando “eficiência”. E se as ciências biológicas lograrem manipular geneticamente os “antigos sujeitos” e fizer com que perfilem como bonequinhos de Lego no parque humano, então isto seria uma vitória da lógica científica sobre o mundo da vida.
Sua obra contém uma promessa luminosa de liberdade
Talvez seja esta visão rota da atualidade, turvada pelo ceticismo, o que esclarece a carreira acadêmica e o alcance mundial de Jürgen Habermas. Sem reservas, ele adere ao espírito do modernismo, sua obra contém uma promessa luminosa de liberdade e defende o Estado de direito e a democracia com eloquência patética. Ao mesmo tempo, nutre-se de uma motivação romântica, composta pela reconciliação e a compreensão. Assim, a obra permanece sensível às coações de uma salvação mundial voltada para o mercado, a uma racionalidade sem fortúnio, ao desalento da liberdade vazia e do progresso insensato.
A fórmula salvadora de Habermas nos anos oitenta era: “reconciliação com o modernismo em autodestruição”, pelo que o capitalismo e a democracia, a ciência e a arte deveriam ser reequilibrados, como um móbile. Para a esquerda radical, o projeto era muito carola, os conservadores perseguiam o convicto intelectual de esquerda com franco ódio e denunciavam Habermas como mentor intelectual do terrorismo. Estas foram as batalhas do passado. Quem lê hoje, com que arrojo argumentativo um conservador como Ernst-Wolfgang Böckenförde ajusta as contas com neoliberalismo, com a hegemonia do mercado sobre a democracia legal, não sabe mais exatamente sobre o que se polemizou durante anos, de maneira passional e ofensiva. É como se Habermas tivesse unido a república através da discussão que ele gerou, sendo que tanto seus próprios argumentos, como os dos seus adversários, transformaram-se com o tempo. Ele marcou época na consciência coletiva, nenhum outro marcou a fisionomia intelectual da Alemanha Federal como ele. E ela lhe deve de maneira decisiva a sua recriação moral.
Jürgen Habermas: Biografia
Jürgen Habermas nasceu em Düsseldorf em 18 de junho de 1929, estudou Filosofia, Psicologia, Germanística e Economia em Göttingen, Zurique e Bonn. Em 1956, Habermas tornou-se assistente de pesquisa no Instituto de Pesquisa Social em Frankfurt do Meno. Após sua habilitação como professor universitário, feita com Wolfgang Abendroth em Marburg, ele foi levado para Heidelberg por Hans-Georg Gadamer. Em 1964, Habermas tornou-se professor de Filosofia e de Sociologia em Frankfurt do Meno. Logo, os estudantes de esquerda passaram a celebrar o astro acadêmico como seu mentor intelectual. Entre 1971 e 1980, ele foi diretor do Instituto Max Planck de Pesquisa das Condições de Vida no Mundo Científico-Técnico, em Starnberg. Em 1980, seu discurso ao receber o Prêmio Theodor W. Adorno, sobre “O Projeto Inacabado do Modernismo”, Habermas provocou um debate sobre o pós-modernismo e o pós-estruturalismo, que durou muito tempo. Sua intervenção contra o revisionismo histórico do historiador Ernst Nolte, em 1985, deflagrou a polêmica dos historiadores, uma controvérsia sobre a forma de tratar o passado alemão.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
UENF mais uma vez!
Uma vez mais a alucinação que decantou na realidade é laureada.
E assim se faz uma Universidade.
Parabéns à comunidade científica uenfiana!
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Uenf ganha de novo Prêmio do CNPq
Pela segunda vez, em seis edições, a Universidade Estadual do Norte Fluminense acaba de receber o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, na categoria 'Mérito Institucional'. O Prêmio, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é atribuído à instituição com maior índice de ex-alunos da Iniciação Científica que se titulam mestres ou doutores em cursos reconhecidos pela Capes/MEC.
A entrega da premiação será feita no dia 19/10/09, às 11h, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), durante as atividades da Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
A Uenf já tinha sido a primeira vencedora quando o Prêmio Destaque do Ano foi instituído pelo CNPq, em 2003. A Iniciação Científica é um dos pontos fortes da Uenf, e atualmente a Universidade mantém cerca de 380 alunos envolvidos em pesquisas e recebendo bolsas. São 158 bolsas concedidas pelo CNPq (incluindo 18 na modalidade 'ações afirmativas'), 140 pela Uenf (com recursos descentralizados da Faperj) e algo em torno de 80 bolsas obtidas diretamente pelos professores orientadores em diversas agências de fomento.
Em correspondência dirigida ao reitor da Uenf, Almy Junior, o CNPq parabeniza a instituição pela conquista e apresenta os critérios que nortearam a concessão do Prêmio. A Iniciação Científica é uma espécie de ‘celeiro’ de futuros cientistas, e a efetividade do programa é medida em termos do percentual de universitários que passaram pela experiência e se titularam mestres ou doutores em cursos reconhecidos pela Capes/MEC.
— A ênfase na Iniciação Científica é uma das características de origem do modelo Uenf, que já realizou 14 Encontros anuais de I.C. em 16 anos de existência. E a reiteração do Prêmio pelo CNPq é mais uma confirmação objetiva do quanto estamos no caminho certo — avalia o reitor Almy Junior.
DESTAQUES EM SEQUÊNCIA
Primeira vencedora do Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, em 2003, a Uenf é também a primeira instituição a conquistar o prêmio pela segunda vez. À exceção de 2004, quando não houve vencedor na categoria 'Mérito Institucional', as instituições contempladas nos anos posteriores foram a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ, 2005), a Universidade Federal de Viçosa (UFV, 2006), a Universidade Federal de Lavras (Ufla, 2007) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM, 2008).
A concessão do Prêmio pelo CNPq é o terceiro destaque nacional da Uenf neste segundo semestre de 2009. Em agosto, o Ministério da Educação (MEC) confirmou a instituição como uma das 15 melhores universidades do Brasil segundo os parâmetros do Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) - agregado de indicadores de qualidade dos cursos de graduação, mestrado e doutorado. E em setembro, o MEC atribuiu conceitos 4 ou 5 (os melhores) a dez cursos de graduação da Uenf, apontando o de Pedagogia como terceiro melhor do país.
Para a coordenadora do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) na Uenf, professora Claudia Dolinski, o novo prêmio do CNPq consolida a Uenf como universidade amadurecida e faz jus à atuação dos professores e alunos do programa. A estudante Evelyn de Almeida Campos, bolsista de Iniciação Científica do curso de Ciências Sociais, diz que o programa lhe permitiu inserir-se num grupo qualificado de pesquisadores e conhecer novas realidades.
Assessoria de Comunicação Social UENF
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
VIVA O RIO!
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
"Em defesa da democracia e do MST"

Bastou realizarmos mais uma jornada de lutas - cobrando o cumprimento de uma pauta de reivindicações apresentada ao governo Lula ainda em 2005 – e exigirmos a atualização dos índices de produtividade agrícola, como estabelece a Constituição Federal, para que viesse a reação.
Os setores mais conservadores do Congresso e da sociedade, liderados pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO), começaram a orquestrar uma nova ofensiva contra o MST. Na semana passada, os parlamentares ruralistas protocolaram mais uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST - a terceira em menos de 5 anos. É exatamente uma represália à nossa ousadia de solicitar a atualização dos índices de produtividade agrícola, que poderá beneficiar os proprietários rurais que realmente produzem em nosso país.
Os que não produzem, certamente, aprovados os novos índices, terão dificuldades de acessar os recursos dos cofres públicos. Assim, os “modernos” defensores do agronegócio não apenas defendem uma agricultura atrasada, em defesa própria, como também expressam, mais uma vez, seu caráter anti-social e parasitário dos recursos públicos.
Os ruralistas, agora parlamentares, alegam que há uma malversação dos recursos públicos destinados à Reforma Agrária para justificar essa CPI. É um direito deles fazer esse questionamento e elogiamos a disposição de prezar pelos recursos públicos.
Mesmo sabendo que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que a senadora Kátia Abreu preside, financiou a campanha eleitoral da senadora e até hoje não foi investigada. Mas se há problemas com esses recursos públicos, para que serve o Tribunal de Contas da União (TCU), subordinado ao Congresso Nacional, ou a Receita Federal?
Há a necessidade de criar uma nova CPI ou os objetivos são apenas imobilizar um movimento social e ocupar espaços na mídia para inibir a bandeira da Reforma Agrária? Parlamentares identificados ou coniventes com esses objetivos é que não faltam.
Mas se não nos faltam inimigos da Reforma Agrária, fortalecidos política e economicamente há cinco séculos pela existência do latifúndio, também não nos faltam solidariedade e apoio de incansáveis e valorosas lutadoras e lutadores da Reforma Agrária.
Abaixo, segue o texto do Manifesto. Assine-o e promova sua divulgação. Para assinar, entre em: http://www.petitiononline.com/manifmst/petition.html.
Secretaria Nacional do MST
Manifesto em defesa da Democracia e do MST
“...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,
nesse mundo em que o trabalho está em extinção.
Legitimam-se porque fazem História,
num mundo que já proclamou o fim da História.
Esses homens e mulheres são um contra-senso
porque restituem à vida um sentido que se perdeu...”
(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996)
A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.
O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.
A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.
Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas - mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.
O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.
É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?
E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?
O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.
É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.
Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!
Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!
Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!
São Paulo, 21 de setembro de 2009
Alípio Freire – escritor (São Paulo)
Hamilton Pereira, o Pedro Tierra – poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo
Heloísa Fernandes – socióloga, USP e ENFF
Osvaldo Russo – estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT
Plínio de Arruda Sampaio – presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO
Confira as demais assinaturas feitas pelo Petition Online.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A ciência social como vocação
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
E cada vez que essa pergunta era feita, gente como Chip Berlet e Dave
Neiwert e Fred Clarkson e eu mesma olhava para o mapa como o pai que faz uma longa viagem e respondia com um sorriso confortador. "Bem... estamos numa estrada ruim, se não mudarmos de caminho poderíamos acabar lá em breve. Mas há muito tempo e oportunidades para voltar. Fique de olho, mas não se preocupe. Pode parecer ruim, mas não, ainda não chegamos lá".
Ao investigar a quilometragem nesse caminho para a perdição, muitos de nós nos baseávamos no trabalho do historiador Robert Paxton, que é provavelmente o estudioso mais importante na questão de como os países adotam o fascismo. Em um trabalho publicado em 1998 no Jornal da História Moderna, Paxton argumentou que a melhor forma de reconhecer a emergência de movimentos fascistas não é pela retórica, pela política ou pela estética. Em vez disso, ele afirmou, as democracias se tornam fascistas por um processo reconhecível, um grupo de cinco estágios que identificam toda a família de "fascismos" do século 20. De acordo com nossa leitura de Paxton, ainda não estávamos lá. Havia certos sinais -- um, em particular -- em que estávamos de olho, e ainda não o reconhecíamos.
E agora o reconhecemos. Na verdade, se você sabe o que procura, repentinamente vê isso em todo lugar. É estranho que eu não tenha ouvido a pergunta por um bom tempo; mas se você me fizer a pergunta hoje, eu diria que ainda não chegamos, mas que já entramos no estacionamento e estamos procurando uma vaga. De qualquer forma, o futuro fascista dos Estados Unidos aparece bem grande diante do vidro do automóvel -- e os que dão valor à democracia dos Estados Unidos precisam entender como chegamos aqui, o que está mudando e o que está em jogo no futuro próximo se permitirmos a essa gente vencer -- ou mesmo manter o território.
O que é fascismo?
A palavra tem sido usada por tanta gente, tão erroneamente, por tanto tempo que, como disse Paxton, "todo mundo é o fascista de alguém". Dado isso, sempre gosto de começar a conversa revisitando a definição essencial de Paxton:
"Fascismo é um sistema de autoridade política e ordem social que tem o objetivo de reforçar a unidade, a energia e a pureza de comunidades nas quais a democracia liberal é acusada de produzir divisão e declínio".
Em outro lugar, ele refina o termo como "uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio da comunidade, com a humilhação e a vitimização e pelo culto compensatório da unidade, energia e pureza, na qual um partido de massas de militantes nacionalistas, trabalhando em colaboração desconfortável mas efetiva com as elites tradicionais, abandona as liberdades democráticas e busca através de violência redentora e sem controles éticos ou legais objetivos de limpeza interna e expansão externa".
Não considerando Jonah Goldberg, é uma definição básica com a qual a maioria dos estudiosos concorda e é a que usarei como referência
Do proto-fascismo ao momento-chave
De acordo com Paxton, o fascismo surge em cinco estágios. Os dois primeiros estão solidamente atrás de nós -- e o terceiro deveria ser de particular interesse para os progressistas nesse momento.
No primeiro estágio, um movimento rural emerge em busca de algum tipo de renovação nacionalista (o que Roger Griffin chama de palingenesis, o renascimento das cinzas, como a de fênix). Eles se reúnem para restaurar uma ordem social rompida, como sempre usando temas como unidade, ordem e pureza. A razão é rejeitada em favor da emoção passional. A maneira como a história é contada muda de país para país; mas ela sempre tem raiz na restauração do orgulho nacional perdido pela ressureição dos mitos e valores tradicionais da cultura e na purificação da sociedade das influências tóxicas de estrangeiros e de intelectuais, aos quais cabe o papel de culpados pela miséria atual.
O fascismo somente cresce no solo revolto de uma democracia madura em crise. Paxton sugere que a Ku Klux Klan, que se formou em reação à Restauração pós-Guerra Civil, pode ser o primeiro movimento autenticamente fascista dos tempos modernos. Quase todo país da Europa teve um movimento proto-fascista nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial (quando o Klan experimentou um ressurgimento nos Estados Unidos), mas a maior parte deles empacou no primeiro estágio -- ou no próximo.
Como Rick Perlstein documentou em seus dois livros sobre Barry Goldwater e Richard Nixon, o conservadorismo moderno dos Estados Unidos foi construído sobre esses mesmos temas. Do "Despertar nos Estados Unidos" [tema de campanha de Ronald Reagan] aos grupos religiosos prontos para a Ruptura [os milenaristas], ao nacionalismo branco promovido pelo Partido Republicano através de grupos racistas de vários graus, é fácil identificar como o proto-fascismo americano ofereceu a redenção dos turbulentos anos 60 ao promover a restauração da inocência dos Estados Unidos tradicionais, brancos, cristãos e patriarcais.
Essa visão foi abraçada tão completamente que todo o Partido Republicano agora se define nessa linha. Nesse estágio, é abertamente racista, sexista, repressor, excludente e permanentemente viciado na política do medo e do ódio. Pior: não se envergonha disso. Não se desculpa para ninguém. Essas linhas se teceram em todo movimento fascista da História.
Em um segundo estágio, os movimentos fascistas ganham raízes, se tornam partidos políticos reais e ganham um lugar na mesa do poder.
Interessantemente, em todo caso citado por Paxton a base política veio do mundo rural, das partes menos educadas do país; e quase todos chegaram ao poder se oferecendo especificamente como esquadrões informais organizados para intimidar pequenos proprietários em nome dos latifundiários.
A KKK lutava contra os pequenos agricultores negros [do sul dos Estados Unidos] e se organizou como o braço armado de Jim Crow. Os "squadristi" italianos e os camisas-marrom da Alemanha reprimiam greves rurais. E nos dias de hoje os grupos anti-imigração apoiados pelo Partido Republicano tornam a vida dos trabalhadores rurais hispânicos nos Estados Unidos um inferno. Enquanto a violência contra hispânicos aumenta (cidadãos americanos ou não), os esquadrões da direita estão obtendo treinamento básico que, se o padrão se confirmar, poderão eventualmente usar para nos intimidar.
Paxton escreveu que o sucesso no segundo estágio "depende de certas condições relativamente precisas: a fraqueza do estado liberal, cujas inadequações condenam a nação à desordem, declínio ou humilhação; e a falta de consenso político, quando a direita, herdeira do poder mas incapaz de usá-lo sozinha, se nega a aceitar a esquerda como parceira legítima".
Paxton notou que Hitler e Mussolini assumiram o poder sob essas mesmas circunstâncias: "Paralisia do governo constitucional (produzida em parte pela polarização promovida pelos fascistas); líderes conservadores que se sentiram ameaçados pela perda de capacidade para manter a população sob controle num momento de mobilização popular maciça; o avanço da esquerda; e líderes conservadores que se negaram a trabalhar com a esquerda e que se sentiram incapazes de continuar no governo contra a esquerda sem um reforço de seus poderes".
E, mais perigosamente: "A variável mais importante é aceitação, pela elite conservadora, de trabalhar com os fascistas (com uma flexibilidade recríproca dos líderes fascistas) e a profundidade da crise que os induz a cooperar".
Essa descrição parece muito com a situação difícil em que os congressistas republicanos estão nesse momento. Apesar do partido ter sido humilhado, rejeitado e reduzido a um status terminal por uma série de catástrofes nacionais, a maior parte produzida pelo próprio partido, sua liderança não pode nem imaginar governar cooperativamente com os democratas em ascensão. Sem rotas legítimas para voltar ao poder, sua última esperança é investir no que restou de sua "base dura", dando a ela uma legitimidade que não tem, recrutá-la como tropa de choque e derrubar a democracia americana pela força. Se eles não podem vencer eleições, estão dispostos a levar a disputa política para as ruas e assumir o poder intimidando os americanos a se manterem silenciosos e cúmplices.
Quanto esta aliança "não santa" é feita, o terceiro estágio -- a transição para um governo abertamente fascista -- começa.
O terceiro estágio: chegando lá
Durante os anos do governo Bush, os analistas progressistas da direita se negaram a chamar o que viam de "fascismo" porque, apesar de estarmos de olho, nunca vimos sinais claros e deliberados de uma parceria institucional comprometida entre as elites conservadoras dos Estados Unidos e a horda nacional de camisas-marrom. Vimos sinais de flertes breves -- algumas alianças políticas, apoio financeiro, palavras-de-ordem doidas da direita na boca de líderes conservadores tradicionais. Mas era tudo circunstancial e transitório. Os dois lados mantiveram uma distância discreta um do outro, pelo menos em público. O que acontecia por trás das portas, só dá para imaginar. Eles com certeza não agiam como um casal.
Agora, o jogo de advinhação acabou. Nós sabemos sem qualquer dúvida que o movimento do Teabag foi criado por grupos como o FreedomWorks do Dick Armey e o Americans for Prosperity do Tim Phillips, com ajuda maciça de mídia da Fox News [a TV de Rupert Murdoch, o magnata da mídia, é porta-voz da extrema-direita dos Estados Unidos].
Site do Americans For Prosperity
[Nota do Viomundo: O movimento do Teabag foi um protesto em escala nacional, organizado pelos republicanos, com ampla cobertura da Fox, em que eleitores protestaram contra a cobrança de impostos e o tamanho do governo federal. Uma tentativa de trazer de volta a rebelião contra a cobrança de impostos que esteve na origem do movimento de independência dos Estados Unidos. Ver Boston Tea Party]
Vimos a questão dos birther [aqueles que acreditam que Barack Obama não nasceu nos Estados Unidos, mas no Quênia] -- o tipo de lenda urbana que nunca deveria ter saído da capa do [jornal sensacionalista] National Enquirer -- sendo ratificada por congressistas republicanos.
Vimos os manuais produzidos profissionalmente por Armey que instruem grupos de eleitores republicanos na arte de causar distúrbios no processo de governo democrático -- e as imagens de autoridades públicas aterrorizadas e ameaçadas a ponto de requererem guarda-costas armados para sair de prédios [os protestos aconteceram durante audiências públicas para debater o novo sistema de saúde].
Vimos o líder da minoria republicana John Boehner aplaudindo e promovendo um vídeo de manifestantes e esperando por "um longo e quente agosto para os democratas no Congresso".
Este é o sinal pelo qual estávamos esperando -- o que nos diria que sim, crianças, chegamos. As elites conservadoras dos Estados Unidos jogaram abertamente seu futuro com o das legiões de descontentes da extrema-direita. Elas deram apoio explícito e poder às legiões para que ajam como um braço político nas ruas americanas, apoiando ameaças físicas e a intimidação de trabalhadores, liberais e autoridades que se neguem a defender seus [das elites] interesses políticos e econômicos.
Este é o momento catalisador em que o fascismo honesto, de Hitler, começa. É nossa última chance de brecá-lo.
O ponto decisivo
De acordo com Paxton, esse momento da aliança do terceiro estágio é decisivo -- e o pior é que quando se chega a esse ponto, é provavelmente tarde para pará-lo. Daqui, há uma escalada, quando pequenos protestos se tornam espancamentos, mortes e a aplicação de rótulos em certos grupos para eliminação, tudo dirigido por pessoas no topo da estrutura de poder. Depois do Dia do Trabalho [Labor Day], quando senadores e deputados democratas voltarem a Washington, grupos organizados para intimidá-los vão permanecer na cidade e usar a mesma tática -- aumentada e aperfeiçoada a cada uso -- contra qualquer pessoa cuja cor, religião ou inclinação política eles não aceitem. Em alguns lugares, eles já estão tomando nota e preparando listas de nomes.
Qual é a linha do perigo? Paxton oferece três rápidas perguntas que nos ajudam a identificar:
1. Estão os neo ou proto-fascistas se tornando arraigados em partidos que representam grandes interesses e sentimentos e conseguem ampla influência na cena política?
2. O sistema econômico ou constitucional está congestionado, de forma aparentemente insuperável, pelas autoridades atuais?
3. A mobilização política rápida está ameaçando sair do controle das elites tradicionais, ao ponto que elas poderiam buscar ajuda para manter o controle?
Pela minha avaliação, a resposta é sim. Estamos muito perto. Muito perto.
O caminho adiante
A História nos diz que uma vez essa aliança [entre a elite e a tropa de choque] é formada, catalisada e tem sucesso em busca do poder, não há mais como pará-la. Como Dave Neiwert escreveu em seu livro recente, The Eliminationists, "se apenas podemos identificar o fascismo em sua forma madura -- os camisas-marrom com passos de ganso, o uso de táticas de intimidação e violência, os comícios de massa -- então será muito tarde para enfrentá-lo".
Paxton (que anteviu que "um autêntico fascismo popular nos Estados Unidos será crente e anti-negros") concorda que se uma aliança entre as corporações e os camisas-marrom tiver uma conquista -- como a nossa aliança tenta agora [barrando a reforma do sistema de saúde proposta por Barack Obama] -- pode rapidamente ascender ao poder e destruir os últimos vestígios de um governo democrático. Assim que ela conseguir algumas vitórias, o país estará condenado a fazer a feia viagem através dos dois últimos estágios, sem saída ou paradas entre agora e o fim.
O que nos espera? No estágio quatro, quando o dueto assumir o controle completo do país, lutas políticas vão emergir entre os crentes do partido dos camisas-marrom e as instituições da elite conservadora -- igreja, militares, profissionais e empresários. O caráter do regime será determinado por quem vencer a disputa. Se os membros do partido (que chegaram ao poder através da força bruta) vencerem, um estado policial autoritário seguirá. Se os conservadores conseguirem controlá-los, um teocracia tradicional, uma corporocracia ou um regime militar podem emergir com o tempo. Mas em nenhum caso o resultado lembrará a democracia que a aliança derrubou.
Paxton caracteriza o estágio cinco como "radicalização ou entropia". Radicalização é provável se o novo regime conseguir um grande vitória militar [Nota do Azenha: sobre a Venezuela, por exemplo], o que consolida seu poder e dá apetite para expansão e uma reengenharia social em grande escala (Veja a Alemanha). Na ausência do evento radicalizador, podemos ter a entropia, com a perda pelo estado de seus objetivos, o que degenera em incoerência política (Ver a Itália).
É fácil neste momento olhar para a confusão na direita e dizer que é puro teatro político do tipo mais absurdamente ridículo. Que é um show patético de marionetes. Que esse povo não pode ser levado a sério. Com certeza, eles estão com raiva -- mas eles são minoria, fora do poder e reduzida a ataques de nervos. Os crescidos devem se preocupar com eles tanto quanto se preocupam com uma menina de cinco anos, furiosa, que ameaça segurar a respiração até ficar azul.
Infelizmente, todo o barulho e as ameaças obscurecem o perigo. Essa gente é tão séria quanto uma multidão linchadora e eles já deram os primeiros passos para se tornar uma. Eles vão se sentir mais altos e mais orgulhosos agora que suas tentativas de desobediência civil estão contando com apoio integral das pessoas mais poderosas do país, que cinicamente os usam numa última tentativa de garantir suas posições de lucro e prestígio.
Chegamos. Estamos estacionados exatamente no lugar onde nossos melhores especialistas dizem que o fascismo nasce. Todos os dias que os conservadores no Congresso, os comentaristas de extrema-direita e seus barulhentos seguidores conseguem segurar nossa capacidade de governar o país, é mais um dia em que caminhamos em direção à linha final, da qual nenhum país, mostra a História, conseguiu retornar.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
A posição do SPD em recusar uma aliança com o “die Linke” no plano nacional (no plano estadual alianças estão sendo costuradas) pode lhe custar uma derrota histórica, sobretudo porque o “dissidente” rejeitado é o partido que mais cresceu nas eleições estaduais e tende a confirmar este crescimento no plano nacional no próximo dia 27. O crescimento do “die Linke”, puxado pelo carisma de seu maior líder, Oskar Lafontaine, coincide com a radicalização de um discurso baseado em dois pilares: 1) um forte programa distributivista, baseado no aumento de impostos para o capital financeiro e para a grandes fortunas de pessoas físicas e no aumento do salário mínimo e 2) a exigência de que as forcas armadas alemãs deixem imediatamente o Afeganistão.
O partido de esquerda cresceu não apenas no “lado oriental” do país, freando o crescimento dos nazistas (NPD) nas regiões mais estigmatizadas pelo ocidente, onde o desemprego é maior e o regime de aposentadoria, por exemplo, não foi integrado à previdência do lado ocidental, expressando muito claramente que a antiga Alemanha comunista é vista como um “fardo” . Mas como o crescimento do “die Linke” também se deu no segundo estado mais rico (Saarland), não convence mais dizer que foi o resultado dos “pobres desorientados” que não sabem o que estão escolhendo, por não terem aprendido ainda a democracia, como acontece por exemplo no Brasil com o preconceito de São Paulo contra o voto do Nordeste.
O partido de esquerda parece ter abocanhado uma fatia significa do eleitorado de classe média (que talvez votaria no SPD ou nos Verdes) com seu discurso de retirada imediata dos soldados alemães do Afeganistão. O curioso é que, premido pelas possibilidades institucionais do sistema político alemão, o “die Linke” promete aos eleitores simplesmente a continuidade da luta ideológica e política do parlamento, de modo pressionar ou convencer outros partidos sobre os pontos essenciais do seu programa ao longo da legislatura. O partido está aberto a uma coalização com o SPD e com os Verdes, como existe na prefeitura de Berlin, rejeitada pelos social-democratas, que acusam o “die Linke” de prometerem o inviável e de não oferecerem base estável de sustentação para um governo.
Mas o que mais me chama atenção nestas eleições aqui não é nem o leque de opções partidárias, que é muito parecido com o Brasil. (a única diferença significativa é aqui não existe um PMDB), mas sim o efeito que o sistema de governo tem sobre o debate: parece ter forca no que os partidos falam e no que se espera deles uma relação direta, institucionalizada, entre crescimento do número de eleitores e preparação para assumir responsabilidades de governo. As possíveis coalizões são discutidas na campanha como tema que pode decidir o sucesso ou o fracasso dos partidos. Não faz nenhum sentido para um partido como o “die Linke” adotar um discurso de purismo ideológico e/ou rituais de seita imaculada como faz o PSol no Brasil. A necessidade de concessões ou mesmo de fusão de programas para governar é um fato que não é minimizado ou deixado fora do discurso. Se o partido se vê crescendo ele sabe que será procurado para governar uma hora ou outra, e essa atribuição não pode ser deslocada somente para os ombros de um sujeito.
Se não fosse o preconceito contra os supostos herdeiros da Alemanha Oriental, alguns no “die Linke”, a social-democracia poderia aqui formar um governo de esquerda, com um partido disposto a assumir responsabilidades de governo. Mas há um estigma, inclusive na mídia, que rotula uma aproximação com o “die Linke” como evidencia de desapego aos valores democráticos, por supostamente se tratar de um partido que traz de volta o passado. A social-democracia, que se firmou como a esquerda da “Alemanha Ocidental”, parece não escapar deste rótulo, pelo menos a nível nacional.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Os ganhos de um debate não são apenas as conclusões, mas também as questões em aberto que surgem no decorrer. A acalorada discussão sobre o boicote ao Enade deixou em aberto a questão da possível privatização das Universidades Públicas que viria legitimada pelo Enade. Para além de se o Governo Lula pretende ou não colaborar com esta suposta marcha para a privatização – tese, a meu ver, completamente absurda – cabe discutir em que medida as Universidades Públicas são públicas.
Antes de mais nada, quero ressaltar que devo minha vida à “Universidade Pública realmente existente” , de modo que pude desfrutar, como ainda desfruto, da medida real de acesso republicano à Universidade que existe em nosso país. No entanto, todos sabemos que o acesso à Universidade Pública no Brasil é um privilégio da classe média estatutária, estabelecida . Sempre foi assim entre nós, e não só com a Universidade Pública: com o ensino de qualidade em geral, com a saúde. Ser de classe média no Brasil (tomo essa definição de Brand) é desfrutar de uma privatização bem sucedida das principais esferas da vida (educação, saúde, justiça, política, lazer etc. ). Se o problema do Estado brasileiro é o que muitos chamam de “confusão entre o público e o privado”, este problema existe porque beneficia a classe média.
Muitos amigos meus poderiam dizer: “mas, poxa, apesar de eu ser de classe média, defendo a Universidade pública para todos, quero que ela se expanda, e que outros desfrutem o que eu desfruto”. Mas mão se trata de boas ou más intenções individuais. A “Universidade Pública para todos” defendida pela classe média ainda é muito programada para atender as demandas e os estilos de vida dos filhos da própria classe média estabelecida. As afinidades que tornam a Universidade Pública um bem privado da classe média são muitas. Tomo como exemplo apenas a seguinte: a Universidade Pública é o ambiente ideal para quem pode prorrogar a entrada no mercado de trabalho, para quem pode por um tempo “esquecer” a luta individual pela sobrevivência no mercado de trabalho. Os cursos de bacharelado da Uenf, com suas grades de tempo integral, mostram exatamente isto. Claro que existe espaço para o “outro lado”, nos cursos à noite, mas isto é exceção e não regra.
As Universidades Públicas são tanto menos públicas na medida em que, não só o acesso, mas sobretudo o estilo de vida implicitamente exigido dos estudantes favorece a classe média estabelecida. A “Universidade Pública para todos” é o tipo de formulação que serve apenas para “salvar a alma” dos incluídos, mas nunca para incluir os excluídos, a menos que a expansão do modelo atual de Universidade Pública altere a exigência implícita de um estilo de vida pautado no “afastamento da urgência econômica”, que é privilégio de poucos. Sempre me pareceu muito suspeito o “radicalismo” (que de radicalismo não tem nada) em defesa da Universidade Pública por parte dos incluídos de boa consciência. Hoje posso dizer que esta suspeição tem a ver com o fato de que esta defesa universalista nunca esteve pautada numa disposição de reconhecer que o interesse dos excluídos pela Universidade tende a ser pautado muito mais pela urgência econômica do que o “interesse altruísta” dos incluídos, que podem adiar a luta pelo salário. Para a classe média estatuária a Universidade Pública é o melhor lugar para garantir os interesses econômicos de longo prazo escamoteando uma relação de segurança econômica que sem tem a curdo prazo.
O preconceito com o Pró-Uni e com a Universidade Privada parece também mais um esforço de “monopolizar simbolicamente” o que é ser um “autentico universitário”, privatizando recursos para estilizar a vida a partir da rede de privilégios institucionais que empurram os filhos da classe média para a Universidade Pública. É daí que vem a denuncia de que o Pró Uni vai privatizar a Universidade. Só nao percebe a transformacao radical que o Pró Uni realiza na vida de milhoes de brasileiros que vem de baixo aqueles que sempre esteveram incluídos de modo privilegiado na rede privada que dá acesso à Universidade Pública. Desprezam o efeito de mobilidade que hoje desfrutam milhos de brasileiros simplesmente porque este nao agrada a "estética revolucionária" que serve para mascarar a rede fechada das chances de mobilidade social que define a classe média estabelecida. Mais publicidade na Universidade é torna-la compatível com o estilo de vida de quem vem de baixo.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Quem tem medo do Enade?
Não obstante os resultados positivos, o desempenho dos graduandos em ciências sociais destoa dos demais cursos e, não menos, do relativo à primeira avaliação a que fomos submetidos em 2005. Neste ano, fui um dos estudantes selecionados para o Enade como concluinte do curso de ciências sociais. Numa escala de 1 a 5, obtivemos o conceito máximo, confirmando nossa graduação como a melhor entre as IES fluminenses até então. Depois de 2005, houve apenas uma avaliação do curso de ciências sociais, referente ao Enade de 2008, cujo resultado atesta um retrocesso para a Uenf, pois descemos para o conceito 2.
Mesmo que não se queira dimensionar o maior ou menor peso do "boicote" ao Enade para a ocorrência desse resultado vexatório, seus efeitos far-se-ão presentes na trajetória dos ingressantes no curso de ciências sociais em uma universidade desafiada a se institucionalizar com e contra uma realidade extramuros muitas vezes refratária ao campo científico. Antes de uma avaliação política da não adesão ao Enade, convém descrever o procedimento de seleção e avaliação dos estudantes para esse exame. Tais como as provas finais das disciplinas obrigatórias, optativas e eletivas e os trabalhos de conclusão de curso, o Enade é um atributo do currículo, sendo obrigatório para os estudantes selecionados para fazê-lo conforme o processo de amostragem do INEP e facultativo para os não-selecionados, importanto assim em uma exigência para a emissão do histórico escolar. O Enade compreende não apenas prova escrita, mas questionário sócio-econômico, questionário do coordenador de curso ou habilitação e o "questionário de impressões dos estudantes sobre a prova", instrumento que sugere relativizar o argumento que postula o Enade como uma medida unilateral. Lembro-me ainda que naquela ocasião pude responder a algumas perguntas de uma equipe do INEP que realizava uma observação in loco de nosso curso. Expus sem maiores constrangimentos opiniões sobre o que julgava passível de alteração no conteúdo ministrado nas aulas, na composição do corpo docente, da representação política dos estudantes na universidade etc.
Confesso que o resultado daquele primeiro Enade superou expectativas. Por um lado, porque era difícil estimar o grau de comprometimento dos estudantes com o exame, devido às polêmicas em torno do antigo "Provão"; por outro, pela subestimação do capital cultural institucionalizado no Centro de Ciências do Homem (CCH), que, aos meus olhos, já adentrava um caminho sem retorno para uma mediana mediocridade. Afirmo isso sem deixar de ser solidário aos professores e estudantes que, a despeito de tudo o que os separa no CCH, empreendem esforços ingentes para reverter ou, ao menos, atenuar a perda de qualidade de nossa formação, um quadro de deterioriação da graduação enfrentado na maioria das universidades públicas no país.
Creio que esse tema ainda exigirá bastante tempo em nossas discussões, mas alguns consensos entre colaboradores e comentaristas já podem ser delineados aqui no blog, principalmente quanto à crítica à política de avaliação do MEC como dependente exclusivamente da não adesão ao Enade. Ora, não seria equívoco pensar que a realização da prova constituiria uma observação privilegiada de prováveis limitações dos critérios de avaliação ali empregados. Invalidar um instrumento sem testá-lo depõe contra a metodologia que aprendemos, pois, conforme já dito, no Enade o estudante não apenas pode como deve avaliar a prova por meio de questionário específico.
Para além da discussão sobre a melhor metodologia a ser utilizada no Enade, negar-se a fazê-lo sem consultar a comunidade acadêmica, a população que contribui para os fundos públicos destinados às atividades-fim da universidade e, quiçá, os próprios colegas de graduação que se dispuseram a fazer a prova com zelo nos remete ao questionamento da orientação valorativa desse "boicote". Ora, as razões pelas quais um grupo de estudantes optou por não fazer a prova foram publicizadas a todos os interessados? Este "protesto" contra a política de avaliação do MEC foi objeto de discussão e deliberação entre os estudantes para, em seguida, ser levado a cabo em todos os colegiados e conselhos da universidade nos quais os representantes discentes tomam assento? Essa decisão fora divulgada nos jornais de grande circulação ou na blogsfera cuja audiência cresce dia a dia? Acaso essas perguntas não tenham se traduzido no fundamento praxiológico de proposições divergentes que pudessem ser acessíveis na esfera pública, o que justificaria não participar de um exame do desempenho escolar - um instrumento de avaliação da eficência e da eficácia da política de ensino superior -, senão um ato arbitrário de estudantes contrários a uma política de Estado supostamente arbitrária?
A contar com os poucos comentários de graduandos de ciências sociais da Uenf que fizeram ou apoiam aqueles que fizeram o "boicote", penso que esse movimento espontâneo coaduna-se com uma falta de ética. Ética não no que o senso comum atribui à honestidade, mas no sentido grego de fidelidade às normas de sua casa ou de sua circunstância. Noutros termos, o que se manifestou no "boicote" foi o desconhecimento da posição da Uenf nessa política de avaliação, acaso esta seja entendida como um campo de lutas pela aquisição ou ampliação de capital simbólico a que estamos sujeitos em quaisquer modalidades de avaliação que, gostemos ou não, balizam o sucesso escolar na graduação e na pós-graduação. Como bem disse Roberto Torres, aderir ao Enade pode também significar um interesse bem compreendido, na medida em que a concorrência inter-institucional pressupõe apostar no próprio desempenho ao pô-lo à prova em avaliações institucionais rotineiras cujos resultados podem se traduzir em ganhos individuais e coletivos no mercado científico, sem prescindir, claro, de acordos intramuros que viabilizem um padrão de competição favorável a uma solidariedade intergeracional na produção do conhecimento.
Quem ganha e quem perde com o rebaixamento do curso de ciências sociais na Uenf? Tenho dúvida quanto à leitura desse "boicote" apoiada na noção de desobediência civil. Talvez aquele seja a exteriorização de um ethos escolar marcado pelo privilégio de um pequeno grupo de letrados que, num país de analfabetos funcionais, se percebe alheio a qualquer avaliação externa, pervetido pela idéia de que sua competência formal não está em questão, o que torna-se um terreno fértil para a perpetuação da velha sinecura acadêmica. Em suma, um ethos anti-republicano que suprime o debate sobre o controle social do financiamento público do ensino superior.
* Site da Uenf.
sábado, 5 de setembro de 2009
Vida longa à UENF!
Nosso amigo Roberto Torres propôs disponibilizar o espaço do blog OUTOS CAMPOS para os alunos de Ciências Sociais idealizadores do movimento que supostamente boicotou a prova do ENADE. De antemão, julgo que seria de grande importância que aqueles que se lançaram no empreendimento expusessem suas lógicas procedimentais (instrumentais) e morais (normativas). Desta forma, poderíamos discutir as questões que envolvem avaliações e financiamentos de pesquisas e ensino de forma mais acurada.
Confesso publicamente que fiquei um tanto confuso e me senti ainda mais incapaz de compreender de imediato a lógica empregada por aqueles que resolveram boicotar o ENADE.
Há muitos pontos importantes para se debater no assunto, sem dúvidas. Espero sinceramente que existam motivos justificadores que possam nos ajudar a apreender tal ação.
De qualquer modo, o comportamento dos alunos de um único curso não deve e não pode sobrepor à conquista de mais um feito da UENF - Instituição periférica na busca incessante pela qualidade e construção de um sonho. Não deve sobrepor à conquista dos alunos que se dispuseram a realizar a prova do ENADE com afinco e dedicação, numa atitude de coragem e competência. Não deve sobrepor aos esforços monumentais de alunos, funcionários e professores para construir uma Universidade no "meio do canavial". Não deve sobrepor ao suor daqueles que trabalham diariamente para substanciar a ousadia e alucinação dos que "inventaram" de construir a UENF. Não deve sobrepor um clamor público local que ensejou e legitimou por meio do movimento popular a favor da instalação da UENF em Campos. Não deve sobrepor à luta por mais investimentos nas Universidades públicas. Não deve sobrepor aos intentos daqueles funcionários, alunos e professores que lutaram arduamente pela autonomia universitária. Não deve sobrepor, enfim, aos resultados cada vez mais visíveis de uma instituição que, contra todos os obstáculos difíceis de serem concebidos até mesmo por um ultra-realista, conseguiu mostrar ao Brasil que é possível sonhar. Que é possível realizar sonhos. Que é possível, sim, com muita com luta e esforço transformar alucinações em realidade!
Vida longa à UENF!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Para a cidade se orgulhar
Pela segunda vez consecutiva, a Uenf é apontada pelo MEC como uma das 15 melhores universidades do Brasil. A nova versão do Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) - o mais completo indicador de qualidade das instituições de ensino superior - aponta a Uenf como a segunda melhor universidade pública do Estado. No Rio de Janeiro, a exemplo do que ocorreu no índice divulgado em 2008, só a UFRJ e a PUC-Rio somaram mais pontos.
Os dados sobre a nova edição do IGC foram divulgados na tarde desta segunda, 31/08/09, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Na planilha do MEC, a Uenf é a universidade estadual brasileira com melhor pontuação. Numa escala de zero a 500, a Universidade obteve 369 pontos no IGC, posicionando-se em 14.º lugar. Depois da Uenf, a estadual com melhor pontuação é a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em 17.º lugar, com 363 pontos.
Consulte o IGC de cada instituição
Para o reitor da Uenf, Almy Junior, a reiteração do bom desempenho da instituição na avaliação global do MEC confirma o acerto do modelo proposto por Darcy Ribeiro na década de 1990, baseado na forte ênfase na pesquisa e no efetivo entrelaçamento entre pesquisa, ensino e extensão.
- A universidade brasileira em geral ainda precisa melhorar bastante para se aproximar do padrão do mundo desenvolvido, e quem sabe os recursos do pré-sal podem alavancar o que ainda nos falta. Mas é extremamente gratificante constatar que o modelo implantado por Darcy no interior venha resultando numa instituição sistematicamente reconhecida como uma das melhores do Brasil.
O topo da lista continua com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com 439 pontos. Na sequência, as 15 melhores universidades segundo o IGC são as seguintes: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Lavras (Ufla), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Universidade Federal de Alfenas (Unifal, MG), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
* site da Uenf.
domingo, 30 de agosto de 2009
Programação da Abertura do 2º Semestre de 2009 - UFF Campos RJ
Venho divulgar a programação oficial de abertura desta nova fase da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes, RJ.
Inegável que há grande ansiedade sobre o impacto desta ampliação em Campos e região. Visando aplacá-la parcialmente eis alguns elementos desta que promete ser uma relação promissora entre comunidade acadêmica e não acadêmica.
Divulguem e prestigiem. Notem que a programação não está restrita ao primeiro dia...
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Programação da Abertura do 2º Semestre de 2009
Há 47 anos, no município de Campos, a UFF é mais conhecida como Faculdade de Serviço Social em virtude do seu único curso de graduação. Nesse quase meio século, formaram-se mais de mil Assistentes Sociais oriundos dos mais diferentes municípios do Norte e Noroeste Fluminense e, também, do Espírito Santo e de Minas Gerais e mais de 400 alunos de Pós-Graduação lato-sensu. Além do Ensino, a UFF/Campos é reconhecida pela sua Pesquisa e Extensão, ambas sintonizadas com os problemas socioambientais da Região. Assim, é com muita alegria que recebemos os calouros da primeira turma dos Cursos de Ciências Sociais, de Economia, de Geografia e também os calouros do curso de Serviço Social, além dos docentes e técnico-administrativos para, juntos, darmos prosseguimento a este projeto que só está começando.
Dia: 31/08 (2ª. Feira)
08h – Abertura oficial do Curso de Economia e Aula – UFF – Campos.
18h - Abertura oficial com a presença das autoridades da UFF, professores, funcionários e alunos de todos os cursos.
19 h – Apresentação de Esquete - alunos do Curso de Serviço Social.
Local: Sede da UFF - Rua José do Patrocínio, número 71.
Dia: 08/09 (3ª. Feira)
18h – Palestra para todos os cursos com o professor Aristides Arthur Soffiati Neto, sobre o tema O impacto socioambiental das cheias na planície fluviomarinha do Norte Fluminense.
Anúncio do Trote sócio-ambiental
Dia: 09/09 (4ª. Feira)
17h – Palestra: DSTs e Vulnerabilidade, com a Profª Viviane Lopes (Coordenadora do Projeto de Extensão em DST – AIDS e Banco de Preservativos/UFF) e Lidiane Braga, do Serviço de Atendimento Especializado do Programa DST-AIDS de Campos).
17:40 – Oficina “Sexo mais seguro”.
18h – Aula Magna para todos os cursos com o professor Haroldo Baptista de Abreu sobre o tema Cidadania e Modernidade: desafios para a Universidade.
21h - Apresentação do Grupo Musical Cadência do Samba e Chorinho.
Dia: 24/09 (5ª. Feira)
18h – Palestras na Sede do Instituto de Campos.
Curso de Serviço Social: Profª Drª Larissa Dahmer (a confirmar).
Curso de Geografia: Prof. Dr. Márcio Piñon Oliveira(a confirmar)
Curso de Ciências Sociais: Profª Drª Adélia Miglievich.
Curso de Economia: Profª Drª Rosélia Piquet.
Dia: 25/09 (6ª. Feira)
18h - Atividades do Movimento Estudantil, organizado pelo Diretório Acadêmico Conceição Muniz (Dacom), da UFF.
Dias: 19/10 e 20/10 (2ª. Feira e 3ª. Feira – Manhã e Tarde)
Atividades da Monitoria e I Mostra Interinstitucional de Extensão – IF, Uenf, UFF- Campos
Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional
ESR/UFF
Departamento de Serviço Social Coordenações dos Cursos de Serviço Social, de Ciências Sociais, de Geografia e de Economia
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
CRÍTICAS AO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL: NOVOS ARGUMENTOS OU VELHOS MITOS?
Considerado elemento constitutivo de nossa formação social por vários estudiosos e intelectuais de âmbito nacional e internacional, o racismo foi (e ainda é) tema de diversas produções acadêmicas que apontam a histórica responsabilidade do Estado brasileiro no processo de desigualdade racial no país. Apesar do conceito de “raça” não ter nenhuma validade científica, o racismo, por outro lado, continua presente nos diversos campos das relações sociais no Brasil. Na atualidade, o racismo enquanto problema a ser superado, se tornou a pedra de toque das principais discussões e propostas que visam beneficiar grupos sociais historicamente discriminados por sua condição de “raça” e/ou cor.
Tendência em dissimular a presença do racismo, muitas vezes sob a forma de “proteção”, o mito da “democracia racial” aos poucos vem perdendo sua força enquanto consenso acerca das relações raciais na sociedade brasileira, dando lugar aos discursos que, sob um ponto de vista “liberal”, questionam a validade ética, política e jurídica da promoção de sujeitos com base no critério da autodeclaração quanto à origem étnico-racial, também denominada de política de ação afirmativa. Desta forma, nunca se debateu tanto sobre o racismo, principalmente depois da proposta de instituição do Estatuto da Igualdade Racial através do Estado.
Segundo o referido estatuto, a desigualdade racial significa toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada.
Projeto de lei votado pelo Senado Federal e ainda em tramitação na Câmara dos Deputados, o Estatuto da Igualdade Racial prevê, neste sentido, a constituição de políticas públicas para combater a desigualdade racial em vários campos, garantindo moradia e terra para os remanescentes de quilombos, acesso gratuito às ouvidorias nas três esferas de governo para as vítimas de discriminação racial, tratamento especial para prevenir e tratar doenças como anemia falciforme pelo Sistema Único de Saúde (SUS), etc. Cria também o sistema de cotas nas universidades, nos espaços de trabalho, na mídia e nos partidos políticos para os discriminados por “raça” e/ou cor, ao mesmo tempo em que propõe um Fundo Nacional da Promoção da Igualdade Racial.
Apesar dos avanços (ainda que parcos) da política social brasileira com base na universalização de direitos, na descentralização político-administrativa, no controle social, entre outros, a desigualdade racial ainda é alimentada pelo enorme fosso que separa, de forma severa, as condições de existência de negros, brancos, indígenas e de demais etnias que compõem a nossa sociedade, fundamentando, desta forma, a adoção de medidas complementares às ações já existentes para promover a igualdade racial.
No entanto, tais medidas são contestadas com veemência por alguns setores da sociedade sob a alegação de que a desigualdade no Brasil, inclusive a social, nada tem a ver com a questão racial, mas sim, com uma forte divisão de classes oriunda da má distribuição de renda e riqueza, causa gritante de nossa extrema pobreza. Um dos expoentes atuais desse discurso chama-se Ali Kamel 2 , que em seu livro Não somos racistas 3 revisita obras de renomados intelectuais brasileiros, utiliza dados do IBGE e discorre, dentre outros assuntos, sobre o sistema de cotas, sustentando o argumento de que o problema da desigualdade no Brasil passa pela falta de acesso à educação, tornando assim, desnecessária a adoção e instituição das cotas raciais pelo Estado brasileiro para acesso de grupos racialmente discriminados ao ensino superior. Neste sentido, a crítica ao estatuto e ao sistema de cotas raciais centra-se na argumentação de que a desigualdade só poderá ser superada com maciços investimentos em educação, sobretudo em educação básica, pois só assim ela abrangerá todos os segmentos pobres da sociedade independente da “raça” e/ou cor.
Certamente, não podemos prescindir da existência de uma forte desigualdade de classes no Brasil e, muito menos, da importância de sólidos investimentos públicos em educação (em seus diversos níveis) para tornar a sociedade mais equânime, entretanto, também não podemos nos furtar de que esta desigualdade possui muitas peculiaridades, sendo uma delas o não menos intenso recorte racialista, resultado das opções políticas, sociais e econômicas realizadas pelo Estado nacional (nos períodos pré e pós-abolição), impedindo assim, a plena integração dos indivíduos negros à sociedade brasileira e em diversos campos da vida social.
Com uma leitura muito apressada e que não leva em conta, muitas vezes, as questões inerentes à nossa formação social, os críticos do Estatuto da Igualdade Racial argumentam que a proposta de cotas raciais altera radicalmente as bases universalistas da Constituição de 1988 pelo seu caráter compensatório e transitório. Estes também defendem o princípio da universalidade como um fim em si mesmo, ou seja, é como se este princípio, expresso apenas de forma jurídica na Carta Magna, possuísse o poder e o papel de remir todos os problemas inerentes à sociedade sem a necessidade de medidas complementares. Tal compreensão mecânica, diria até maniqueísta, concebe o estatuto como instrumento absoluto de privilégio de “raça” e não como um dos meios, mesmo que por prazo determinado, de superação da desigualdade racial para o fortalecimento, garantia e efetivação dos próprios princípios universais contidos na Constituição.
Discurso também muito utilizado pelos críticos alega que a Constituição Federal já trata do racismo em seu Capítulo I, artigo 5º, caput XLII, considerando tal prática como crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei, todavia, tal artigo é bastante incipiente (apesar de sua importância) para dar conta da desigualdade racial na sua totalidade, pois este trata o racismo sob o ponto vista da prática de crime apenas, não indicando qualquer ação (pública ou privada) ou dispositivo que aponte o racismo como responsável pelas péssimas condições de vida e baixo índice de participação da população afro-descendente na riqueza socialmente produzida no país, demandando, desta forma, a interferência do Estado na referida questão por meio de políticas públicas.
Apesar da importância da defesa da Constituição e de seus princípios universais, e da orientação que tais princípios oferecem às legislações e políticas sociais direcionadas a determinados segmentos da sociedade brasileira (crianças, idosos, mulheres, pessoas com deficiência, etc.) e, mesmo em meio a tantas iniciativas de focalização das políticas sociais na pobreza extrema, ainda é notória a invisibilidade do tema relacionado à desigualdade racial neste âmbito, daí a idéia nada ingênua de que “não somos racistas”. Novos argumentos ou velhos mitos raciais?
Sem querer, portanto, esgotar aqui essa discussão e dar uma resposta definitiva à questão, o fato é que, no que se refere ao Estatuto da Igualdade Racial, não se trata de julgá-lo ou reduzí-lo a um mero instrumento para a construção de uma sociedade bicolor, polarizada entre negros e brancos, ou para a negação da diversidade e variedade do espectro de cores que representa o povo brasileiro, muito menos para culpabilizar, como num período de “caças às bruxas”, os indivíduos brancos e seus antepassados, como advogam alguns críticos, mas trata-se, por outro lado, de responsabilizar o Estado enquanto ente público, que durante os séculos XIX e XX, especificamente, realizou e intensificou escolhas políticas pela marginalização de segmentos sociais em detrimento de sua integração à sociedade, não tão somente pela sua condição de classe, mas, sobretudo, pela sua aparência e caráter fenotípicos, assim como pela sua origem étnico-racial e que até hoje apresentam seus resultados caros e nefastos.
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[1] Assistente Social do INSS; Mestre em Serviço Social, Política Social e Trabalho pela UERJ; Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Ética e Diversidade de Gênero, Etnia e Racismo (NEDIGER) da UFF – Campos dos Goytacazes-RJ e; professor do curso de Serviço Social da Faculdade Redentor (Itaperuna-RJ).
[2] Jornalista e sociólogo, diretor responsável pela Central Globo de Jornalismo e colunista do Jornal O Globo.
[3] O título original chama-se Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor.













